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Piracicaba (SP) recebe documentário sobre a história da capoeira na cidade


Mestre Valter - Imagem: Ivan Bonifácio

O Geacap (Grupo Estilo Acrobático de Capoeira de Piracicaba) com apoio do Instituto Afropira e ETC Produtora promovem, na próxima terça-feira (12) de modo presencial e quinta-feira (14) on-line, o lançamento do documentário “A História da Capoeira de Piracicaba Pelo Olhar de Mestre Valter”. A ação presencial acontece às 19h, no Centro Comunitário do Bairro Parque 1º de Maio, e a on-line às 20h, no canal do Afropira no YouTube (https://www.youtube.com/c/AFROPIRA ).


O Projeto tem por finalidade apresentar o primeiro documentário de uma série que será criada para contar a história da capoeira de Piracicaba, por meio do olhar dos mestres do município. Para iniciar, será contemplado Mestre Valter, um dos mestres mais velhos que ainda está em atividade na cidade, como forma de preservação e valorização da cultura negra e da capoeira que é patrimônio cultural imaterial nacional da humanidade.



O Projeto apoiado pela Lei Emergencial Aldir Blanc nº 14.017/2020. A entrada para prestigiar o lançamento, no dia 12 de abril, é gratuita e conta com a seguinte programação: 19h – Recepção; 19h15 – Abertura oficial do evento com falas do Mestre Valter e produção; 19h30 – Exibição do documentário; 20h30 – Roda de capoeira.


Mestre Valter

Mestre de Capoeira e fundador, junto aos seus filhos, do Geacap. Teve seu primeiro contato com a capoeira, o que chama de primeiro contato com as “pernadas”, em 1974 e seus primeiros passos em 1976 com seu tio.

De 1981 a 1982 integrou o Grupo Beira Mar do Mestre Gil. Saiu do grupo quando o Mestre foi embora da cidade, ficou um tempo parado e logo entrou no Grupo Cativeiro, onde iniciou as aulas com Mestre Cosmo e Mestre Zequinha. Ficou no Cativeiro cerca de sete anos, passou pelo Grupo Cordão de Ouro na década de 90, Grupo Guerreiros dos Palmares final de 90, até a criação do Geacap no dia 6 de maio de 2002.


Nestes 46 anos de trajetória, e a completar 20 anos de fundação de seu grupo familiar, realizou diversas ações dentro da cidade, como grandes encontros no Ginásio da USP durante cinco anos consecutivo, além de um grande encontro no Engenho Central de Piracicaba.

Formou na capoeira inúmeras crianças, adolescentes, jovens e adultos. Dentro destes formados consta seus cinco filhos, sendo um o respeitoso in memorian Mestre Borracha, e os outros quatro que dão continuidade a este trabalho:


Mestre Marquinho, um dos idealizadores do Festival Afropira e hoje o presidente do Instituto e criador do Festival Nacional de Capoeira de Piracicaba (Fenacap); Contramestres Vaguinho, idealizador do Circuito Capoeira - Encontros Mensais de Capoeiristas, no Casarão de Turismo de Piracicaba, desde 2012, e Fundador da Escola Piracicabana Capoeira Angola; Contramestra Isabel, a mulher com maior título na cidade desde 2007, uma das Diretoras do Instituto Afropira; Treinel Maria Helena, destaque na capoeira e na dança afro de Piracicaba e região.


Um marco na trajetória de Mestre Valter é ser a primeira família de Piracicaba onde todos estão envolvidos com a capoeira tendo sua esposa Dona Cristina envolvida nas realizações dos eventos, confeccionando os uniformes, cordões e figurinos e cuidando da parte da confraternização, momento para degustarem sua deliciosa habilidade culinária e momento de trocas entre os capoeiristas, como também suas noras, genros, netos, e até sobrinhos, todos envolvidos com a capoeira e a cultura negra da cidade.


Mestre Valter atua ministrando suas aulas, supervisionando e atuando como eterno mentor de seus filhos e alunos em todas as suas ações. O Grupo Geacap atua na transmissão de saberes, shows e apresentações de capoeira angola, regional e contemporânea e as manifestações que são agregadas a capoeira e a tem como aliada para sua salvaguarda como o maculelê, dança guerreira, dança do fogo, puxada de rede e samba de roda.


História da capoeira em Piracicaba

A Capoeira na cidade tem origem com dois professores (Gê e João) que tiveram um papel relevante. No entanto a Capoeira Piracicabana tem na marcante presença e forte atuação de Claudival da Costa – Saudoso Mestre Cosmo (28/07/1955 - 26/04/2004), a mais significativa contribuição. Mestre Cosmo que começou a treinar no final dos anos 60, se formou professor no Cativeiro, em 1978, na cidade de Ribeirão Preto. Se tornou o aluno mais antigo do grupo, seguido de Mestre Monteiro de Ribeirão, fundou uma filial do grupo em Piracicaba, em 1979, e deixou como discípulo a maior parte de mestres, contramestres e professores que atuam na cidade hoje.


Piracicaba conta também com descendência de Mestre Gil, e teve nestes últimos 10 anos Mestres que migraram de outras cidades e estado e fortalecem este Patrimônio Cultural no município. Por ser um dos pioneiros e por sua trajetória e luta pela capoeira, todos os representantes dos grupos da cidade reconhecem a “Homenagem Mestre Cosmo” que ocorre deste a primeira edição do Fenacap, por meio da Câmara de Vereadores.


A capoeira está presente na região central, em bairros populares e na periferia piracicabana, trabalhando diretamente com cerca de 850 alunos assíduos e chegando a mais de 3.000 crianças e adolescentes através do trabalho desenvolvido pelo Case (Centro de Atendimento Sócio Educativo), presente em sete bairros, atendendo 1.100 crianças e adolescentes, pelo trabalho desenvolvido pela Secretaria de Esporte e Lazer que atua em varejões, além das escolas particulares.


Em 2013, surgiu o Festival Afropira, junto a um grupo de artistas e militantes da Cultura Negra em parceria com Secretaria Municipal de Cultura. Os realizadores do Festival se uniram pra mais ações como um coletivo e hoje atuam como um instituto que promove diversos projetos na cidade e criaram, em 2017, sobre a coordenação do Diretor Mestre Marquinho o Fenacap, que faz o levantamento e calculou 18 grupos na cidade.


Conquistas

A capoeira que já foi considerada criminosa e teve sua prática banida, foi reconhecida como esporte autenticamente nacional, porém com muito caminho a percorrer para tirar o olhar e o tratamento marginalizado, vem construindo uma história de conquistas e reconhecimento. Tornou-se Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil - A Roda de Capoeira foi registrada como bem cultural pelo Iphan em 15 de julho de 2008, com base em inventário realizado nos estados da Bahia, de Pernambuco e do Rio de Janeiro, considerados berços desta expressão cultural.


Tornou-se Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade - Em 24 de novembro de 2014, durante a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda, que é realizada na sede da Unesco, em Paris, teve a inscrição para recebimento do título aprovada. Em 26 de novembro, a Unesco declara que a Roda de Capoeira é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.


Foi reconhecida como esporte - Através da Publicação da Resolução nº 44 de fevereiro de 2016, publicado em 05 de maio de 2016, reconhece as Artes Marciais e a Capoeira como esporte; Teve reconhecimento do seu caráter educacional - Através da aprovação da PLS 17/2014, de autoria do ex-senador Gim Argelo, pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) no dia 19 de maio de 2015, reconhecendo o caráter educacional e formativo da capoeira e autorizando escolas públicas e privadas da educação básica a celebrarem parcerias com entidades que congreguem mestres e profissionais de capoeira para ensinar a seus alunos essa prática esportiva e cultural.


Conquistou dias para celebração de seus praticantes: Lei Federal Nº 7536/2010 - Instituiu o “Dia Nacional da Capoeira”; Lei Estadual Nº 4.649/1985 - Instituiu o “Dia da Capoeira” e Lei Municipal Nº 8.077/2014 – de autoria do Vereador Paulo Campos, fica instituído, no Calendário Oficial de Eventos do Município, o “Dia do Capoeirista”, a ser comemorado, anualmente, no dia 3 do mês de agosto. Em Piracicaba, conquistou o Festival Nacional da Capoeira de Piracicaba, em 2017 e a Medalha Mestre Cosmo.


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