Liderança feminina no empreendedorismo avança no Brasil com 10,35 milhões de mulheres à frente de negócios
- O Canal da Lili

- há 1 hora
- 3 min de leitura

O Brasil encerrou 2024 com 10,35 milhões de mulheres donas de negócios, o equivalente a cerca de 34% dos empreendedores do País, segundo levantamento do Sebrae com base na PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica. No recorte de empreendedores iniciais, empresas com até 3,5 anos de atividade, a participação feminina chegou a 46,8% em 2024, o maior índice desde 2019, conforme dados do Sebrae a partir do Global Entrepreneurship Monitor 2024.
No contexto do Dia Internacional da Mulher - celebrando em 8 de março -, os dados mostram que a pauta da liderança feminina vai além da representatividade. O avanço das mulheres no empreendedorismo brasileiro evidencia que investir na mentalidade estratégica da empresária é também uma decisão econômica, com reflexos concretos na geração de renda e no fortalecimento do ambiente de negócios.
Valquíria Mendes, mentora de alta performance e empresária com mais de 30 anos de atuação no setor contábil, afirma que os números revelam uma mudança estrutural no perfil da liderança empresarial brasileira. “A presença feminina cresceu, mas o que determina a sustentabilidade desse avanço é a mentalidade com que essas mulheres conduzem seus negócios. Sem clareza estratégica, o crescimento não se sustenta”, diz.
Segundo a mentora, o desempenho financeiro está diretamente ligado à postura interna da liderança. “A empresária decide todos os dias como vai precificar, contratar, negociar e se posicionar. Se ela age movida por medo ou insegurança, isso aparece no resultado. Mentalidade é ferramenta prática de gestão”, afirma.
Relatórios internacionais do Global Entrepreneurship Monitor 2024 indicam que, globalmente, mulheres seguem abrindo negócios em proporções cada vez mais próximas às dos homens, mas encerram empresas com maior frequência por fatores familiares ou pressões externas.
No Brasil, levantamentos do Sebrae apontam que empreendedoras ainda enfrentam maior dificuldade de acesso a crédito e apresentam faturamento médio inferior ao dos homens, mesmo quando possuem nível educacional semelhante ou superior.

Para a mentora, esse cenário exige preparo emocional e estratégia. “Alta performance não começa no volume de tarefas, começa na organização interna. Quando a líder entende seu papel e estrutura sua visão, as decisões deixam de ser reativas e passam a ser estratégicas”, analisa.
A especialista aponta cinco frentes para fortalecer a mentalidade empreendedora e melhorar resultado.
Definição de metas mensuráveis
De acordo com especialistas, o desenvolvimento da liderança pode ser estruturado em práticas objetivas que impactam diretamente a gestão e os resultados financeiros. Antes de buscar expansão, é necessário consolidar bases sólidas: Estabelecer objetivos de médio e longo prazo reduz improvisos e aumentar previsibilidade financeira; Autoconhecimento aplicado à tomada de decisão; Reconhecer padrões emocionais evita negociações precipitadas e escolhas baseadas apenas na urgência; Estrutura financeira organizada; Separar finanças pessoais das empresariais e acompanhar fluxo de caixa fortalece autonomia e reduz riscos.
Rede de apoio e mentoria especializada
Participar de programas estruturados amplia repertório e reduz isolamento na liderança.
Disciplina e constância nos processos internos
Transformar hábitos individuais em rotinas organizacionais cria cultura sólida e melhora desempenho da equipe.
Como escolher apoio especializado
Com a expansão do mercado de consultorias e mentorias voltadas a empreendedoras, a recomendação é observar critérios objetivos antes da contratação. Experiência prática comprovada, metodologia estruturada, indicadores de acompanhamento e clareza contratual sobre entregas são fatores determinantes.
Também é importante evitar propostas que prometam resultados imediatos sem diagnóstico prévio. Crescimento sustentável exige planejamento e implementação gradual.
Empresas lideradas por mulheres que investem em desenvolvimento estratégico tendem a apresentar maior organização financeira, cultura interna definida e posicionamento mais competitivo. O fortalecimento da liderança impacta margem de lucro, retenção de talentos e capacidade de expansão. “O negócio cresce na mesma proporção em que a líder cresce. Quando ela assume responsabilidade pelas próprias decisões e se posiciona com segurança, a empresa acompanha esse movimento”, enfatiza Valquíria Mendes.

Comentários