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Disco de estreia: Anastácia faz samba com confissões de uma mulher complexa e libertária

Atualizado: 21 de fev.


Anastácia, cantora e compositora, apresenta nove faixas que trazem um samba voluptuoso para contar aventuras e dolências - Imagem: Patrik Braga

A capixaba Anastácia, natural de Linhares, que recebeu a bênção de Arlindo Cruz para gravar uma de suas músicas, fez trabalhos vocais com Monarco e Xande de Pilares, colocou uma composição em série da HBO Max, já foi saxofonista, estudante de canto clássico e plateia do avô, que tocava cavaquinho em casa.


E estes são só alguns dos ingredientes que ela colocou à prova no disco autointitulado e que chega no streaming pelo selo Toca Discos, justamente nesta quinta-feira (2), no Dia Nacional do Samba. Ouça aqui: https://links.altafonte.com/qq8xmdo .


“Anastácia”, o disco, tem oito músicas e uma vinheta, com arranjos elegantes e modernos construídos com a união de instrumentos de famílias distintas. Um requinte musical bastante peculiar e ousado. No entanto, é sim um disco de samba, só que sem o tradicional violão de 7 cordas e com teclados bem destacados, que juntamente com percussões cheias, respondem pela modernidade da produção.


Anastácia fala com ousadia e franqueza sobre ela mesma – adepta da humanização da mulher que é dona de si, ciente de seus erros e acertos. O contexto do disco de estreia foi anteriormente apresentado nos singles ‘Eu Não’ e ‘Ai de Mim’, lançados em outubro e novembro passados, respectivamente.


Mais dois outros singles tiveram lançamento antes da pandemia, 'Bêbada' e 'Sou Dessas'. Os respectivos videoclipes estão disponíveis no canal youtube.com/anastaciaoficial


A produção e os arranjos do disco, intitulado “Anastácia”, têm a assinatura de Rafael dos Anjos, o mesmo que trabalhou com Arlindo Cruz e Maria Rita, conhecidamente produtor musical de Diogo Nogueira, que carrega consigo duas indicações ao Grammy Latino, 2018 e 2021.


Processo criativo

Anastácia conta que ouviu em torno de 200 canções de compositores de todo o Brasil, mas foi de ‘dentro para fora’, isto é, a partir de músicas compostas por ela mesma, que o disco começou a ser vislumbrado. A crise com o repertório sinalizou que Anastácia não só tinha que cantar, mas tinha o que dizer e se fazer representar. O trabalho precisava ser autoral.


“Tive uma crise de choro por não querer gravar nenhuma delas. Por não entender ainda o que eu queria. Cheguei na casa da Família Macabu e o compositor e músico Waltis Zacarias estava lá neste dia. Na hora eles disseram: você não quer gravar por que você precisa compor, seu repertório precisa vir de dentro pra fora e não o contrário!”, ela revela.


Álbum chega ao streaming nesta quinta (2), no Dia Nacional do Samba - Imagem: Divulgação

Uma vida para a música

Anastácia teve contato com o samba por meio do avô, que tocava músicas do gênero no convívio familiar. Foi a faísca para ela educar os ouvidos para as melodias e métricas do samba, uma relação que se fortaleceu com o passar dos anos e com o envolvimento de Anastácia com o ofício da música, qualquer que seja o estilo em que estivesse envolvida.


Aos 14 anos, Anastácia tocava saxofone em hotéis próximos à sua casa – como curiosidade, a icônica Alcione, teve o trompete como sua porta de entrada na música. Nos anos seguintes, estudou canto clássico. Enquanto performer e artista plural, sabe absorver referências de autores e obras para oferecer um produto com sua marca autoral, com a certeza de que o álbum não poderia ser apenas um disco tradicional de samba.


Ofício

Em 2013, mudou-se para o Rio de Janeiro e viveu desde apresentações de voz e violão a rodas de samba, palcos de teatros e lonas. Anastácia ainda defendeu e gravou sambas enredo, audiobooks, voz para jogos de videogame e backing vocals em estúdios para Diogo Nogueira, Xande de Pilares, entre outros.


Música de trabalho

‘Não penso em mais nada’, música de Júnior Dom com Arlindo Cruz, é uma das mais românticas do disco e, como destaca Anastácia, entrou a pedido do público que a acompanha em suas apresentações ao vivo. Aliás, uma interpretação em especial desta música, registrada em vídeo, viralizou em 2015 no Facebook, o que ajudou a fazer seu nome no samba e ser notada por mais pessoas e artistas do estilo. “Em todas as rodas de samba, nas passadinhas, o público me pedia pra cantar esta música”. Para tanto, teve a bênção de Arlindo para gravá-la. “A benção aconteceu na quadra da Mangueira”, lembra Anastácia.


Outro destaque do disco é a faixa ‘Cisma’, que tem um arranjo com acordeon, baixo, percussão e banjo. Já Cazuá é uma música autoral, que segundo Anastácia, é forte ao ponto de fazer chorar . “Já vi gente chorando ouvindo essa canção, ela fala de saudade, a saudade faz chorar”.


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