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Racismo estrutural e fatores socioeconômicos elevam mortes de pretas e pardas, diz especialista


De acordo com dados do IEPS, mulheres pretas e pardas são as que mais sofrem com pré-eclâmpsia grave e eclâmpsia - Imagem: Ilustrativa/Freepik

Em 20 de novembro é celebrado o Dia da Consciência Negra. A data recorda a memória de Zumbi dos Palmares, que foi assassinado em 1965. Um momento para lembrarmos e entendermos o lugar da mulher negra, entre opressões de gênero e raça, e importante para debater as especificidades que o cuidado em saúde deste perfil demanda. De acordo com dados do IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde) e do Instituto Çarê, as mulheres pretas e pardas são as que mais sofrem com pré-eclâmpsia grave e eclâmpsia.


De janeiro de 2014 a dezembro de 2021, segundo os levantamentos, a cada 1.000 mulheres em trabalho de parto no País, 28,4 tiveram eclâmpsia ou pré-eclâmpsia. Para as mulheres brancas, essa taxa foi de 24,9, enquanto para as pardas foi de 27,5 e, para as pretas, de 32,8.


A médica Melania Maria Ramos de Amorim, secretária da Comissão Nacional Especializada em Mortalidade Materna da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), explica que “há um forte racismo estrutural, além de intersecção com fatores socioeconômicos, que explicam o maior número de mortes em pretas e pardas, 90% dessas mortes poderiam ser evitadas com medidas de assistência pré-natal, ao parto e puerpério humanizada e baseada em evidências”.


Melania explica também sobre as principais causas da mortalidade, que são hipertensões, hemorragias, infecçãos e abortos inseguros. Segundo ela, durante a pandemia a Covid-19, tornou-se a causa mais frequente de morte, elevando sobremaneira o número de mortes e a razão de mortalidade materna no Brasil, sendo estimada em 2021 ser 107 por 100.000 nascidos vivos.

“É importante resolver as desigualdades sociais, combater o racismo e proporcionar assistência qualificada durante o pré-natal, parto e puerpério, bem como atendimento adequado às emergências obstétricas com maternidades adequadamente equipadas, serviço de UTI obstétrica e plantonistas 24h todos os dias da semana. E também contar com mecanismos confiáveis para determinar números e taxas de mortalidade materna, porque embora os números sejam altos ainda não são os reais. Estima-se que sejam 35% a mais”, salienta Melania.


Durante sessão realizada no 61º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, realizado nesta semana no Rio de Janeiro, o ginecologista Rodolfo de Carvalho Pacagnella, também da Comissão, falou sobre ações que são essenciais para a redução da mortalidade materna. “Há alguns pontos que são importantes para diminuir a mortalidade materna, que envolvem desde a necessidade de um programa de desenvolvimento nacional ao fortalecimento dos comitês de mortalidade materna, além de redes de assistência obstétrica adequadas, cuidados obstétricos de urgência e uma mobilização social", ressalta Rodolfo.



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