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Professor da USP destaca prevenção e planejamento no combate a acidentes do trabalho


No encontro, no Cerest foi reforçado a importância dos sindicatos na busca permanente por ambientes seguro de trabalho - Imagem: Divulgação

Em encontro com dirigentes do Instituto Conespi (Conselho das Entidades Sindicais de Piracicaba), na última quinta-feira (28), o professor da USP (Universidade de São Paulo), Rodolfo Andrade de Gouveia Vilella, disse que para garantir a saúde e segurança do trabalhador é preciso envolver as pessoas e não delegar a terceiros a missão de planejar para garantir a prevenção de acidentes e doenças do trabalho. A declaração foi dada ao abordar o tema “Desafios e Perspectivas dos sindicatos nas ações de prevenção de acidentes e adoecimentos relacionados ao trabalho”, em evento no Cerest (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador), em Piracicaba (SP) no Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes de Trabalho.


O vice-presidente do Sintipel (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Papel, Papelão e Cortiça), Francisco Pinto Filho, o Chico, abriu o evento, ressaltando as ações desenvolvidas pelos sindicatos filiados ao Instituto Conespi, desde o final da década de 80, para mudar a realidade do ambiente de trabalho em Piracicaba e região, reduzindo drasticamente situações que colocavam a segurança do trabalhador em risco, num trabalho que sempre contou com total apoio do Ministério do Trabalho e Cerest, ação também enaltecida pelo presidente do Sinticompi (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Piracicaba), Milton Costa.



Diante de todos os ataques aos trabalhadores e ao movimento sindical, o presidente do Instituto Conespi, Wagner da Silveira, o Juca, destacou que atualmente só o Cerest tem sido parceiro nesse trabalho de apoio aos sindicatos na luta diária por ambientes seguro de trabalho, considerando o principal instrumento para se fazer política séria, diante do desmantelamento do Ministério do Trabalho pelo Governo Federal, e que cabe aos trabalhadores contribuir para mudar esta realidade nas eleições deste ano.


No evento que também debateu “Cenário dos Acidentes de Trabalho na região de Piracicaba”, o técnico do Cerest, Alessandro José Nunes da Silva, mostrou que os acidentes de trabalho reduziram em relação há duas décadas, mas que ainda é muito preocupante, uma vez que somente neste ano já foram registrados quatro fatais, contra oito no ano passado e nove em 2021. Também mostrou que no ano passado foram registrados 6.635 acidentes de trabalho na cidade, sendo 511 graves, enquanto que no ano de 2020 foram 5.785 acidentes, sendo 416 graves. Já em 2019, dos 7.311 acidentes, 388 foram considerados graves, ou seja quando causa fraturas ou perda de membros do corpo.


Para o professor Rodolfo Vilella, o cenário de acidentes de trabalho só é possível de ser alterado com planejamento do trabalho e prevenção. Como exemplo, citou as obras das Olimpíadas no Rio de Janeiro, que envolveu o Comitê Olímpico Mundial, e que exigiu amplo planejamento. Com isso, na construção de todo complexo não ocorreu um único acidente com óbito.


O envolvimento cada vez maior do sindicato é considerado como essencial para a queda no número de acidentes e doenças do trabalho em Piracicaba e se faz ainda mais necessário, de acordo com o professor da USP, pelo desmonte do Ministério do Trabalho pelo atual governo, que se iniciou com a reforma trabalhista. É que além de enfraquecer a fiscalização das situações que possam expor a saúde e a segurança do trabalhador, a reforma trabalhista diz que a empresa não pode negociar a segurança dos trabalhadores, mas que a jornada de trabalho não tem nada a ver. “Isso é um escândalo”, declarou.


Demonstrando preocupação com a manutenção da democracia no país e com a saúde e segurança dos trabalhadores, uma vez que o Brasil está vivendo uma exceção, Rodolfo Vilella disse que apesar dos ataques ao Ministério do Trabalho, os governos são passageiros e reforçou que os servidores que atuam no órgão são comprometidos, mas estão sendo ameaçados pelo poder. “Independente disso, temos que fazer a nossa parte e o movimento sindical atuar para garantir a prevenção no local de trabalho, que deve ser feita com planejamento e envolvendo os trabalhadores”, completou.


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