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Organizações precisam apoiar colaboradores que cuidam de um familiar idoso, diz psicóloga


Segundo o IBGE, só de 2016 para 2020 o número de pessoas que se dedicavam a cuidar de idosos saltou de 3,7 milhões para 5,1 milhões - Imagem: Ilustrativa/Freepik

Envelhecer é o curso natural da vida, um processo pelo qual todos iremos passar e que, inclusive, se inicia a partir do momento em que nascemos. Em muitos países do continente asiático o envelhecimento é significado de respeito, orgulho e sabedoria pela jornada de uma vida dedicada ao trabalho e à família. E segundo dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população de pessoas com 60 anos ou mais cresceu de 11,3% para 14,7%, no período de 2012 a 2021, o que representa um aumento de 39,8%, saltando de 22,3 milhões para 31,2 milhões de indivíduos dessa faixa etária.




De acordo com Fátima Macedo, psicóloga especialista em Saúde Mental do Trabalhador, considerando que quase todos os brasileiros convivem com idosos em seus núcleos familiares, uma questão torna-se fundamental quando essa realidade é levada ao ambiente de trabalho: como acolher e dar suporte ao trabalhador que tem a responsabilidade de cuidar de um idoso? “Estamos falando de idosos em situação de cuidados constantes, com perda de autonomia, muitas vezes causada por doenças como Alzheimer ou Parkinson, e que precisam de um acompanhamento ininterrupto”, explica Fátima, que é CEO da Mental Clean, consultoria especializada em saúde mental para empresas.

Segundo a Sociedade Brasileira de Gerontologia, estima-se que quase 2 milhões de pessoas com idade acima de 60 anos têm demências, sendo que cerca de 40 a 60% delas são do tipo Alzheimer. “É fundamental que as empresas e organizações entendam e apoiem os funcionários cujos familiares próximos – pai e mãe – estejam nessa situação”, afirma a CEO da Mental Clean.

Segundo dados do IBGE, só de 2016 para 2020 o número de pessoas que se dedicavam a cuidar de idosos saltou de 3,7 milhões para 5,1 milhões. “Com o envelhecimento e adoecimento de avós e pais as pessoas que trabalham passam a ter uma jornada dupla, e por vezes tripla, obrigatória, precisando cumprir a jornada de trabalho com qualidade, e ao chegar em casa, precisa cuidar do idoso em praticamente todo o seu tempo restante e ainda dar conta dos cuidados da casa e dos filhos. Essa é a realidade de muitas pessoas, em especial das mulheres. Isso gera uma estafa mental muito grande, podendo levar ao estresse e ao esgotamento da saúde mental e física dessa pessoa, e ainda levar a quadros ansiosos ou depressivos”, alerta Fátima Macedo.


Fátima Macedo, psicóloga especialista em Saúde Mental do Trabalhador - Imagem: Divulgação

A psicóloga observa que esse apoio deve partir, primordialmente, das lideranças. “Estar próximo de seus times, garantir a segurança psicológica, e entender que pode acontecer de alguém do time não estar bem por situações como estas e ter, inclusive que se ausentar do trabalho para resolver situações urgentes com esse familiar, sem que isso se torne mais um problema em sua vida ou sofra represálias, é um suporte muito importante que faz com ele se sinta acolhido e respaldado”, explica Fátima.

A CEO da Mental Clean explica que a empresa pode, ainda, disponibilizar o apoio emocional às pessoas colaboradoras que enfrentam esse tipo de situação. “Atendemos a várias empresas com esse suporte, criando canais de atendimento psicoterapêutico, com profissionais que atendem 24 horas por dia”, enfatiza.

Ações como estas impactam diretamente nos resultados das organizações, pois diversas pesquisas apontam que trabalhadores motivados são mais produtivos, criativos, colaborativos e inovadores. “Sabemos que os resultados certamente impactam positivamente na produtividade das empresas. Mas, acima de tudo, estamos falando em humanidade”, conclui Fátima.



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