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Mídia digital nativa cresce no Brasil apesar de orçamentos apertados, aponta estudo


Empreendedores brasileiros de informação digital ganham força em meio à pandemia - Imagem: Freepik

Empreendedores de mídia digital estão produzindo jornalismo inovador e alcançando um impacto significativo em suas sociedades, apesar de orçamentos geralmente pequenos e constantes ameaças e ataques on-line, de acordo com um novo estudo global publicado no último dia 4 de novembro.


A edição 2021 do relatório "Inflection Point", publicado pela SembraMedia, uma organização sem fins lucrativos que apoia jornalistas empreendedores, em parceria com a organização filantrópica global Luminate, é baseado em entrevistas com 201 organizações independentes de mídia digital nativa na América Latina, África e Sudeste Asiático. Acesse a versão completa do estudo em português clicando aqui!


No Brasil, 25 organizações foram entrevistadas, o mesmo número da primeira versão do estudo, divulgada em 2017. A edição deste ano revela um crescimento das mídias nativas digitais brasileiras, assim como nos países latino-americanos estudados. O estudo de 2021 revelou que apenas 3% das 100 organizações estudadas na América Latina não possuem nenhuma fonte de receita contra 17% em 2016.


A pesquisa apontou que o número de organizações com faturamento anual entre US$ 100 mil e US$ 500 mil cresceu de 17% para 23% entre 2016 e 2019. Os dados também mostram que 32% dessas organizações estavam no nível mais baixo de maturidade (com receitas de US$ 100 a US$ 19.999) em 2016. Essa porcentagem caiu para 28% em 2019.


Os empreendedores digitais aumentaram suas fontes de receita em relação há três anos, com o financiamento filantrópico e privado em primeiro lugar, seguido de verbas publicitárias. Além disso, a diversificação da origem dos recursos com consultorias e serviços de conteúdo tornaram essas organizações mais resilientes e independentes, de acordo com o estudo.


O alto nível de patrocínio privado e filantrópico em relação ao último estudo foi o destaque, apontado como fonte de receita para apenas 16% em 2016 subindo para 30,75% na atual edição. Os patrocínios de investidores filantrópicos, além dos de fundações e empresas privadas tiveram o maior crescimento, indo de 29% em 2019 para 37% em 2020. Enquanto isso, os recursos de publicidade diminuíram sua participação na receita total de 21% para 17% no mesmo período.


Esta expansão permitiu a essas organizações sobreviverem ao período crítico da pandemia de Covid-19 mesmo com quedas de faturamento. Das organizações estudadas em 2016, apenas 23% haviam encerrado suas publicações quando foi iniciado o atual estudo.


Ainda em relação à pandemia de Covid-19, ficou evidenciado que as organizações de mídia brasileira prestaram menos apoio aos colaboradores que às de países vizinhos, com 35% prestando algum suporte contra 67% da Argentina e 57% da Colômbia. Apesar dos desafios encontrados, os empreendedores de mídia locais estão prosperando e ampliando suas atividades.


De acordo com Rafael Georges, representante da Luminate no Brasil, a evolução destas mídias como modelos de negócio e a pluralidade de fontes de receitas é um elemento importante para a concretização de um ecossistema de trabalho jornalístico independente. "Nós da Luminate consideramos um pilar fundamental de espaços democráticos saudáveis", destaca.


Impactos sociais e diversidade

A pesquisa é lançada cerca de 1 mês após os jornalistas independentes Maria Ressa e Dmitry Muratov vencerem o Prêmio Nobel da Paz. De acordo com o estudo, mais de 85% dos meios de comunicação entrevistados na América Latina produziram jornalismo que levou a mudanças políticas e sociais significativas. Cerca de 25% das organizações entrevistadas também relataram que seu jornalismo contribuiu para o afastamento de um membro do governo local.


Quase todos os líderes de mídia entrevistados na América Latina relataram ameaças ou algum tipo de perseguição por meio das redes sociais. Ameaças legais também são comuns na região como tentativas de silenciar a mídia. Esse fator pode ser explicado pela predominância do jornalismo investigativo entre as organizações de mídia latino-americanas. Comparativamente, os veículos brasileiros relataram uma incidência de ameaças legais às suas operações 13 vezes maior do que na vizinha Argentina.


Outro achado significativo foi a importância da participação feminina nessas organizações. Cerca de 40% possuem mulheres como fundadoras no Brasil, um número muito maior do que nos meios de comunicação de massa, que gira em torno de 1%. O estudo também cita a pesquisa da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) de 2020 apontando aumento de 105% dos casos de violência contra jornalistas no ano passado.


Um quarto dos meios de comunicação ouvidos no estudo disse que pelo menos um de seus fundadores representava uma comunidade minoritária em seu país. Quase 30% das organizações latino-americanas relataram que pelo menos um de seus fundadores representava uma comunidade minoritária em seu país.


Além disso, 66% disseram ter pessoas que se identificaram como minorias em suas equipes. Muitos dos veículos entrevistados reportam sobre e/ou para comunidades carentes regionais, como por exemplo, o website Amazônia Real, que cobre questões que afetam as pessoas na Amazônia.


Para o CEO da Luminate, Stephen King, "este estudo destaca uma nova geração de empreendedores de mídia criativos e corajosos, que, como os ganhadores do Prêmio Nobel Maria Ressa e Dmitry Muratov, estão tendo um impacto real em suas sociedades, fortalecendo o funcionamento da democracia".


Sobre o estudo

O Inflection Point (Ponto de Inflexão em português) teve sua primeira versão divulgada em 2017, quando 100 organizações de mídias digitais nativas latino-americanas foram estudadas. A pesquisa, uma realização da SembraMedia com o Luminate Group, traçou o perfil da mídia independente nos quatro países estudados (Brasil, Argentina, México e Colômbia). Foram abordados aspectos como receita, influência em temas governamentais, diversidade e inclusão, além de temas econômicos e sociais. Nesta nova edição do estudo, foram incluídos países da África e Ásia, ampliando a dimensão sobre o assunto. Com a versão de 2021 foi possível comparar dados e constatar o crescimento da mídia nativa digital com o aumento da influência na comunicação local.


Sobre a SembraMedia

A missão da SembraMedia é capacitar diversas vozes na mídia para publicar notícias e informações com independência, integridade jornalística e um impacto positivo nas comunidades que servem. Ajudamos empreendedores de mídia digital a construir organizações de notícias independentes e mais sustentáveis, oferecendo treinamento técnico e comercial, inteligência de mercado, oportunidades de networking, consultoria especializada e suporte financeiro direto. Nosso trabalho é conduzido por uma equipe internacional de jornalistas, empresários, consultores e acadêmicos com profundo conhecimento dos mercados globais de política, economia e mídia. Somos orientados e apoiados por um distinto Conselho Consultivo, cujos membros contribuem com sua experiência como jornalistas, executivos de mídia, professores e consultores. Para saber mais, Clique Aqui.


Sobre a Luminate

Luminate é uma organização filantrópica global focada em capacitar pessoas e instituições para trabalharem juntas para construir sociedades justas. Apoiamos organizações e empreendedores inovadores e corajosos em todo o mundo e defendemos as políticas e ações que irão gerar mudanças em quatro áreas de impacto: Capacitação Cívica, Direitos Digitais e de Dados, Transparência Financeira e Mídia Independente. Trabalhamos com nossos parceiros para garantir que todos tenham a oportunidade de participar e moldar as questões que afetam suas sociedades e para tornar aqueles em posições de poder mais responsivos e responsáveis. A Luminate foi criada em 2018, pelos filantropos Pierre e Pam Omidyar. A organização foi fundada pelo Grupo Omidyar. Para saber mais clique aqui!

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