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Linkado com: Lucas Trivelato na acolhida das crianças do Lar Franciscano de Piracicaba


O empresário Lucas Trivelato é o presidente do Lar Franciscano de Piracicaba - Imagem: Divulgação

No Mês da Criança, O Canal da Lili retoma as entrevistas especiais, aos sábados, com o presidente do Lar Franciscano de Piracicaba, o empresário Lucas Trivelato. Fundado em 4 de outubro de 1952, o Lar Franciscano faz parte do Serviço de Acolhimento de Piracicaba a crianças e adolescentes até os 18 anos, de ambos os sexos. E em maio deste ano, Lucas Trivelato assumiu a presidência do Lar Franciscano, entidade tradicional da cidade e que em 2022 completa 70 anos de atuação no acolhimento Pós-graduado e com MBA em Administração de Empresas, com especialização em Gestão, Trivelato é nascido em Barretos e vive em Piracicaba há 11 anos, vindo de Campinas. É casado com a também empresária Paula Trivelato, pais de Bárbara e Helena. Confira a entrevista:


O que te influenciou a ser presidente do Lar Franciscano e quais são os principais desafios?

Sou de família muito católica, tenho padres e freiras como parentes, e desde criança visitava orfanatos com minha mãe para interagir com as outras crianças, aprender e ajudar como fosse possível. Eu gosto de fazer isso. Atuo na diretoria do Lar Franciscano de Piracicaba há 10 anos e a inspiração vem dessa questão familiar. Hoje, o nosso maior desafio tem relação com o que aprendi ainda na infância: eliminar o assistencialismo e dar lugar ao desenvolvimento. O orfanato tem um ponto único e positivo que é de abrigar os desabrigados e amparar os desamparados. É bonito olhar para isso, mas não gera resultados, já que resolvemos um problema agora e geramos outro no futuro, pois quando a criança se tornar jovem e voltar para a rua, sem mais a assistência do Lar, não saberá o que fazer, não terá independência, pois recebeu tudo e aprendeu que na vida é assim. Nosso grande desafio, além do trabalho com as finanças, buscar receitas para a manutenção e o aprovisionamento, é conscientizar os cidadãos sobre a importância de nos ajudar a desenvolver pessoas além da necessidade de matar a fome, pois queremos entregar para a sociedade seres humanos que receberam muito mais além do que comida. Por isso, precisam ter conhecimento, expectativa, aprendizado, desafios, orientação sobre mercado de trabalho, música, teatro. Muitas pessoas fazem doações com essa sensação do assistencialismo, “já estou dando meu dinheiro, fazendo minha parte”, os próprios profissionais dentro do Lar muitas vezes têm essa ideia de que estão fazendo algum tipo de favor. A criança merece muito mais do que só o olhar de atenção: se faz necessário desenvolvê-la como cidadão social, para não gerarmos problemas futuros.


Em relação ao atendimento a crianças e adolescentes, o que mudou da época da fundação do Lar, em 1952, para os dias atuais?

A mudança nos atendimentos é exatamente essa relacionada ao que esperamos em relação ao desenvolvimento e o que entregamos para gerar o resultado esperado. Na época dos frades, o Lar Franciscano de Menores era um orfanato, as crianças usavam uniformes, as camas eram uma ao lado da outra, tudo da mesma cor, que tinha referência em São Francisco, então era tudo marrom, bege. Elas tinham que seguir regras básicas de religião, de horários, estudar e obedecer, era assim que funcionava. O Lar era comandado por rígidas normas católicas, seguindo os dogmas da Igreja. Hoje, para começar, o termo "de Menores" foi extinto por orientação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Temos um corpo de profissionais especializados em diferentes setores, que atuam por 24 horas, divididos em turnos, desde técnicos que cuidam das crianças até coordenação geral, psicólogos, assistentes sociais, cozinheiras e a diretoria, que é toda voluntária, composta por profissionais de diferentes áreas para atender de forma mais pontual às necessidades da entidade. A ideia é tornar mais profissional o trabalho com o Lar, desenvolver projetos que atraiam novos recursos e tornem a sociedade mais participativa e menos emocional em relação à entidade. O tratamento hoje é o cuidado com saúde e olhar do ponto de vista psicológico, emocional. Trabalhamos o desenvolvimento atual e a desenvoltura futura, orientamos sobre mercado de trabalho, escola, independência com as próprias decisões. São cuidados e orientações diferente de regras extremas, o que é, de fato, uma tremenda mudança, pois o jovem não vive e nem sai do Lar como um servo, mas como cidadão, com direitos e deveres, poder de decisão ou minimamente preparado, como deve ser qualquer outro jovem de uma família comum. Esse é o nosso trabalho do dia a dia.


Quantas crianças e adolescentes são atendidos atualmente e como ocorre esse atendimento?

O Lar Franciscano tem capacidade de atendimento para 20 crianças e é muito importante que isso seja compreendido: primeiro, isso está dentro da lei; segundo, um dos parâmetros é que atendemos muitas crianças com deficiências motoras e mentais, cada uma equivale à necessidade de cuidado de até três crianças; terceiro, essa quantidade elimina a sensação de orfanato. Não tem crianças que morem numa casa com outras 100 crianças, não é comum e não agrega ao desenvolvimento. Por tudo isso, o Lar tem essa capacidade limitada. Os assistidos são pessoas que tiveram seus direitos violados por diferentes motivos, são afastados da família, e o principal objetivo do nosso trabalho é a proteção e o cuidado adequados, com o intuito principal de proporcionar o retorno da criança ou do adolescente ao contexto familiar. Para isso, a família também é acolhida por outros programas de reeducação. Quando o objetivo principal não é atingido, o assistido é disponibilizado à adoção por outras famílias e, enquanto a adoção não acontece, há programas de apadrinhamento. A gente brinca que nossa maior vitória é comemorar que estamos com a casa vazia, porque isso tem o significado de que atendemos bem e resolvemos o problema: a criança voltou para a própria família ou foi adotada por outra, que também é muito bom; além disso, se não chega nenhuma criança é porque de certa forma a sociedade está bem, porque a justiça não precisou retirar nenhuma criança da família e não precisam do Lar. Hoje, na data atual, contamos com 11 crianças e adolescentes, de ambos os sexos, com idades a partir dos nove meses de vida. Recentemente, algumas foram adotadas. A chegada das crianças ou adolescentes ao Lar acontece por decisão judicial, como lei protetiva. Ela é retirada da família onde está sofrendo maus-tratos e nosso papel é recebê-la e readaptá-la ao novo lar, que é o nosso, onde vão viver por tempo indeterminado, até os 18 anos, com todo o conforto físico de um lar, atendimentos terapêuticos e sociais.


Curiosamente, o Lar Franciscano foi fundado no Mês das Crianças. Qual seria o maior presente para as crianças atendidas pela instituição?

Foi fundado em 04 de outubro de 1952, Dia de São Francisco de Assis e, por coincidência, no Mês das Crianças. Na minha opinião, como presidente e participante há 10 anos só no Lar Franciscano, além de minha vivência em relação aos orfanatos de Barretos, o maior presente seria elas receberem a dignidade e atenção das pessoas como se deve ser. Ao invés de eu levar um tênis, eu levá-la à loja de tênis, ao invés de dar o brinquedo, eu levá-la à loja para comprar o brinquedo. Então, o maior presente seria as pessoas prestarem atenção a elas e dar um pouco da dignidade que é comum para nós. Talvez nem todos enxerguem dessa maneira, mas o que para nós é o cotidiano, acordar, sair, ir à escola, ao banco, ao trabalho, fazer compras etc., não é o comum delas. Por mais que as pessoas tenham a sensação de que é bom que elas estejam num lugar legal, mas elas têm horários para comer, ver TV, mas não são livres no convívio com pessoas diferentes, não vivem como os outros. O maior presente seria a disposição das pessoas para entregar mais do cotidiano, promover essa sensação de liberdade, de conhecimento, de terem a dedicação de um novo aprendizado, da importância da confiança, de explicar sobre a vida, a rotina e não o olhar de pena, mostrar a vida como tem que ser vivida dentro das famílias. Essa é minha opinião.


SERVIÇO

O Lar Franciscano de Piracicaba fica à rua Amapá, 210, bairro Verde e atende o público das 8h às 17h, entre em contato com a coordenadora Thaís. Os telefones são (19) 2105-0250 ou WhatsApp 99713-7459 para quem deseja conhecer o trabalho, fazer doações, apresentar projetos. Existem treinamentos em grupos de capacitação para voluntariado pontual ou pelo período de seis meses. Entre as necessidades de voluntariado, o Lar precisa de professores de alfabetização ou reforço escolar, idiomas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, artes, música, teatro, além de interessados em promover palestras sobre diferentes temas do cotidiano, como sugestões: emprego, liderança, comportamento social e/ ou no trabalho, sexualidade, mercado de trabalho, entendimentos sobre rotina e sobre a vida, datas importantes como o Outubro Rosa ou o Novembro Azul.


Doações em dinheiro podem ser feitas através das seguintes chaves PIX: CNPJ 54.370.697/0001-11 ou Telefone 19997137459. Imprensa, o contato é: (19) 99735-8500, com Daniele. Siga o Lar Franciscano de Piracicaba nas redes sociais para saber das novidades: Instagram/ Facebook: @larfranciscanodepiracicaba . Site: larfranciscano.org.br .


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