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Instituto Conespi cria coletivo de mulheres para debater a situação feminina no trabalho


No encontro, foram feitos diversos depoimentos relatando os desafios da mulher tanto no mercado de trabalho como na sociedade - Imagem: Divulgação

Na roda de conversa promovida pelo Instituto Conespi (Conselho das Entidades Sindicais de Piracicaba), na manhã de sexta-feira (11), mulheres que são dirigentes sindicais e trabalhadoras de sindicatos de trabalhadoras da cidade destacaram os desafios enfrentados pela mulher, seja no mercado de trabalho e ou na sociedade, assim como a sua importância e necessidade do empoderamento feminino para superar os obstáculos.


A partir deste evento, denominado de “Mulheres conversam sobre os desafios da mulher no mundo e no trabalho”, realizado dentro das ações voltadas ao Dia Internacional da Mulher, promovido no Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região, possibilitando que as mulheres pudessem dialogar, dar depoimentos e, a partir disso, continuar buscando mecanismos que possam contribuir para que a mulher, verdadeiramente, tenha o respeito e a igualdade no mercado de trabalho e em todos os segmentos da sociedade, resultou na criação do coletivo de mulheres do Instituto, que terá reuniões bimestrais, justamente para debater a situação da mulher na sociedade e no mundo do trabalho.



O evento foi aberto com a assessora do Conespi, Leila Motta, abordando a mulher no contexto histórico como força de trabalho e da necessidade de empoderamento, inclusive da mulher ocupando o seu papel na vida política. Nos diálogos, foram relatadas as diversas dificuldades das mulheres nas inúmeras categorias de trabalhadores que compõem o Instituto Conespi.


A presidenta do Siemaco (Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação e Trabalhadores na Limpeza Urbana e Áreas Verdes de Piracicaba e Região), Renata Souza, falou dos desafios do dia a dia das mulheres trabalhadoras, representada pelo seu sindicato, que são as responsáveis pela varrição das ruas da cidade. Segundo ela, muitas vezes, nem banheiro conseguem, assim como também em muitos casos são obrigadas a beberem água de torneira, além do preconceito que há na sociedade para com elas, mesmo todos sabendo da importância do trabalho que desenvolvem em prol da sociedade.


O preconceito ainda é um desafio, como reiterou a vice-presidenta do Sindicato dos Bancários de Piracicaba, Ângela Ulices Savian. Segundo ela, muitos gestores e recrutadores insistem em cultiva a mentalidade de que a mulher é sexo frágil. Também disse que a taxa de desemprego de mulheres e negos é sistematicamente superior a de homens e brancos, inclusive a taxa de desemprego das mulheres negras é quase o dobro da dos homens brancos, “assim como persistem importantes diferenciais de remuneração no mercado de trabalho brasileiro relacionadas ao sexo e à raça/cor das pessoas”, falou, ressaltando que a mulher tem remuneração inferior aos homens.


Para o vice-presidente do Instituto Conespi, José Antonio Fernandes Paiva, esse encontro serve principalmente para que as mulheres criem, cada vez mais, canais de diálogo e da busca de ferramentas para fazer o enfrentamento por igualdade de direitos e de tratamento. “O Conespi, com uma história de quase 40 anos de lutas em defesa dos trabalhadores e ratifica o seu compromisso de continuar atuando firmemente na defesa das mulheres trabalhadoras”, enfatiza.


O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, o ex-secretário estadual do Trabalho, José Luiz Ribeiro, também participou do evento e fez depoimento da importância da mulher na sociedade. Lembrou que foram elas, quando esteve internado no Hospital Unimed, por cerca de 100 dias, em função de ser acometido pela covid-19, que cuidaram dele e que foram responsáveis por motivá-lo à retornar à vida normal. “As mulheres são tudo e merecem todo o nosso respeito”, acrescentou.


O presidente do Sintipel (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Papel, Papelão e Artefatos de Papel), Emerson Cavalheiro, também manifestou a necessidade de empoderamento da mulher. “Sem dúvida, esse encontro, o primeiro promovido a elas pelo Conespi, é histórico e marca um novo momento de fortalecimento de mais uma ferramenta para que possamos combater todo preconceito e discriminação que ainda paira sobre as mulheres”, disse.


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