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Grupo de voluntários motiva a criação da Associação de Surdos – Libras Piracicaba


Diretoria-executiva da Assupira - Imagem: Rodrigo Alves

A união de um grupo de voluntários da cidade motivou a criação da Assupira (Associação de Surdos – Libras Piracicaba), que está em fase final de regularização do CNPJ e organiza, ainda para este mês, uma Live de lançamento para marcar a sua fundação. De caráter filantrópico e sem fins lucrativos, a entidade tem finalidade educacional, recreativa, social, cultural e desportiva e busca aglutinar forças e representar as aspirações das pessoas surdas, com deficiência auditiva ou surdocegueira, oferecendo suporte para seus familiares e profissionais que trabalham na saúde, educação e outras áreas.


Estabelecida em 30 de janeiro deste ano, a Assupira nasce por meio do empenho de lideranças surdas e do amadurecimento das atividades do Grupo Libras Piracicaba e Região, criado em março de 2019 e hoje com 257 pessoas. Este grupo continuará em funcionamento com o projeto social que atende as famílias em situação de vulnerabilidade e para dar suporte aos trabalhos da associação. A entidade terá uma sede na área central da cidade, na rua Tiradentes, 592, sala 3, com inauguração prevista para o mês de agosto.


Segundo Thiago Pereira da Silva, que assume a presidência da associação no mandato de 2021 a 2024, o CNPJ está em fase final de emissão e permitirá que a Assupira estabeleça parcerias e convênios para o atendimento das demandas. Tão logo isso ocorra, será firmada a parceria já prevista com uma empresa multinacional para o projeto horta-escola e a filiação à Feneis (Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos). "É momento de unirmos forças. A entidade se manterá aberta a todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, orientação sexual, cor, idade, religião e quaisquer outras formas de discriminação", diz Silva.


Também a partir de agosto, a Assupira oferecerá nove atividades, todas por uma rede de voluntariado, que abordarão temas como libras para familiares, interpretação de libras para o português oral (destinado a intérpretes), leitura e escrita de português para surdos (destinado a professores), judô, escola-horta e acompanhamento terapêutico familiar de pais surdos e de pais ouvintes com filhos surdos. Estão previstas ainda oficinas temáticas de Língua Portuguesa e de matemática para surdos.


A Assupira também buscará a qualificação da mão de obra da comunidade surda e servirá como elo com o mercado de trabalho, na inserção dos trabalhadores surdos. Para se manter, além da atuação da rede de voluntariado na busca por doações e desenvolvimento de rifas e participação em feiras para levantar recursos, a associação aposta na adesão de associados, que terão prioridade nas vagas dos cursos oferecidos e descontos nas empresas parceiras.


Beatriz Turetta, coordenadora do Grupo Libras Piracicaba e Região, explica que as pessoas surdas do município de Piracicaba nem sempre viveram em comunidade. Elas ficaram, por muito tempo, em suas casas e restritas ao convívio com familiares e amigos. "O início das atividades do Grupo Libras Piracicaba e Região favoreceu que as pessoas se aproximassem e passassem a conversar sobre as necessidades que tinham em comum", destaca ela.


Ainda segundo Beatriz, Piracicaba já possui uma entidade que atende a comunidade com trabalhos de habilitação e reabilitação, a Apaspi (Associação de Pais e Amigos de Surdos de Piracicaba. "A Assupira vem para suprir uma lacuna de décadas e o seu diferencial está no enfoque da Libras", completa.


Para que a Assupira fosse oficialmente constituída, as lideranças surdas participaram de encontro de formação em São Paulo. Em todas as fases, houve o apoio do gabinete do vereador Gilmar Rotta, presidente da Câmara Municipal de Piracicaba, para a criação e para o registro da associação, além do apoio jurídico. Atuaram também como incentivadores o Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência, a Apaspi e a Associação Piracicabana dos Ostomizados.


Outra bandeira da Assupira, já encampada por toda a diretoria, é pela aprovação do projeto de lei 4.909/2020, no Congresso Nacional, que qualifica a educação bilíngue de surdos como uma modalidade de ensino independente na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), colocando a Libras (Língua Brasileira de Sinais) como primeira língua e o português escrito como segunda língua.


A live de lançamento tem o apoio do Pernas Caipiras e será às 19h30 de 26 de junho, via YouTube da Assupira e do Grupo Libras, com a presença de autoridades locais, estaduais e nacionais, lideranças surdas e influenciadores digitais. A participação desses nomes será ao vivo ou gravada, acompanhada de um intérprete de Libras e de legendas simultâneas, como forma de assegurar a acessibilidade a todos os públicos. A live contará também com QR-code para doações, que serão utilizadas com o objetivo de manter a sede da associação e de formar uma reserva para a ampliação do espaço.


TRIÊNIO

A diretoria-executiva da Assupira para o triênio 2021-2024 é composta por lideranças surdas locais e tem Thiago Pereira da Silva como presidente, Alexandre Ribeiro como vice-presidente, David Rodrigues Marques como primeiro-secretário e Beatriz Aparecida dos Reis Turetta como segunda-secretária. Também integram Leonardo Luis Vitti e Gilberto Sampaio da Silva Junior, primeiro e segundo tesoureiros, respectivamente, e as conselheiras fiscais Janaína Nascimento Ribeiro Gonçalves, Flávia Fernanda de Campos Santos e Adriana da Silva Heredia. Como conselheiras fiscais suplentes estão Luane Alves Ramos, Regiane Visentim e Marcos Roberto Rossi Bortoleto.

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