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Especialista alerta sobre combinação de fitoterápicos e remédios alopáticos


Nem todos os medicamentos à base de plantas são liberados para uso indiscriminado - Imagem: Ilustrativa/Pixabay

Apesar de naturais, nem todos os medicamentos à base de plantas são liberados para uso indiscriminado. O alerta é do farmacêutico naturopata Jamar Tejada, da capital paulista. O especialista conta que as ervas e os produtos à base de plantas não são isentos de risco e é preciso estar atento a alergias, contaminações, toxicidade e, principalmente, interações e misturas com todo tipo de medicamentos.


Apesar de serem regulamentados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), os medicamentos fitoterápicos são produtos que contém, exclusivamente, derivados vegetais, extratos ou a própria planta medicinal seca e pulverizada, o que não os faz completamente inofensivos. “Como o próprio nome diz, são medicamentos e portanto, precisam ser devidamente prescritos para um determinado tratamento”, afirma.



Entre os principais problemas deste consumo sem orientação está que a interação com medicamentos convencionais e/ou alimentos podem causar intoxicação - seja pelo uso inadequado de doses, ou por tempo acima do recomendado. A mistura ainda pode causar toxicidade renal e hepática e imunossupressão (redução das defesas naturais do corpo).


Misturar um simples usado para impedir a formação de coágulos, com um medicamento fitoterápico para a memória, a base da planta ginkgo biloba, por exemplo, pode levar à morte. Combinar as duas substâncias pode causar hemorragias em várias partes do organismo, como na órbita ocular, ou manchas roxas pelo corpo. No cérebro, as consequências podem ser fatais.


Segundo o especialista, o simples uso de AAS (ácido acetilsalicílico), por exemplo, tão popularmente usado para tratar dores, febre e inflamações ou mesmo para impedir a formação de coágulos se associado ao uso de alguns fitoterápicos como alho, gengibre, salsinha, ginseng, ginkgo biloba e/ou guaco podem alterar de modo expressivo a coagulação sanguínea, podendo levar a hemorragias. "Por isso, é bom evitar a associação dessas plantas a anticoagulantes sintéticos", alerta.


Há fitoterápicos que baixam a glicemia, muito usadas por diabéticos como, por exemplo, a pata-de-vaca, jambolão e Melão de São Caetano. "O problema é que elas também podem baixar demais a concentração de glicose no sangue, se usadas em altas doses ou junto com medicamentos antidiabéticos sintéticos", diz o especialista.


Chia, guar e aveia são usadas para evitar a absorção de açúcar e gordura pelo organismo, prevenindo problemas a diabéticos ou evitando aterosclerose. Porém, essas plantas também atrapalham a absorção de ingredientes úteis à saúde como vitaminas ou medicamentos, se tomados juntos. “Isso acontece porque algumas ervas e fitoterápicos não combinam com determinados medicamentos e podem mascarar sintomas ou mesmo intensificá-los”, alerta Jamar Tejada, que acrescenta sobre o alerta sobre o horário e a forma de ingerir os medicamentos fitoterápicos já que também influenciam no resultado.


Para finalizar, o especialista explica que um medicamento pode anular os efeitos de outros, por isso é tão essencial buscar orientação até mesmo para o uso diário e contínuo de um ‘simples’ chá.

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