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Dia Mundial Sem Tabaco e Paradas pro Sucesso: alerta sobre os malefícios do cigarro


Fábio Augusto Negreiros, Juliana Previtalli, Rosane de Paiva, André Calazans e Valéria Fernandes - Imagem: Divulgação

Texto: Eliana Teixeira


O Dia Mundial Sem Tabaco é celebrado nesta segunda-feira, 31 de maio. A data foi criada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para chamar a atenção aos malefícios do tabaco. A proibição de fumar em locais públicos e fechados é bem aceita por fumantes e não-fumantes em todos os países onde foi adotada. Em pesquisa realizada com a população de São Paulo em 2013 pelo Datafolha, verificou-se que o índice de aprovação dos paulistanos à lei paulista é de 91%. Neste ano a campanha antitabagismo Paradas pro Sucesso e a Diretoria de Ensino de Piracicaba e Região lançaram o Concurso Cultural Paradas pro Sucesso entre os estudantes.


De acordo com a médica cardiologista Juliana Previtalli, uma das idealizadoras da campanha Paradas pro Sucesso, o objetivo da parceria com a Diretoria Regional de Ensino é incentivar os alunos a demonstrar suas habilidades e criatividade artísticas e fomentar a discussão sobre o tema antitabagismo. Podem participar do concurso todos os estudantes de Piracicaba, divididos em três categorias: Fundamental 1, Fundamental 2 e Ensino Médio. Cada estudante poderá participar em uma das duas modalidades:Vídeo ou Desenho. O regulamento do concurso já está na rede estadual e os alunos das escolas municipais e particulares podem solicitá-lo através do e-mail: concursoparadasprosucesso@gmail.com .


Segundo a cardiologista, as inscrições vão até dia 30 de junho e os prêmios são bolsas de estudo de 100% em escolas de música e de artes da cidade, entre elas a Escola de Música Momento Musical e a Escola de desenho Visuart.


FUMANTES NO BRASIL

De acordo com a Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), em 2019 o percentual total de fumantes com 18 anos de idade ou mais no Brasil era de 9,8%, sendo 12,3 % entre homens e 7,7% entre mulheres. A médica Juliana Previtalli explica que a Vigitel realiza os levantamentos dos dados em 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal, com adultos maiores de 18 anos que residam em locais com linhas de telefone fixo.


A cardiologista afirma que o número de fumantes no Brasil tem historicamente diminuído, como se vê na série temporal da Vigitel realizada de 2006 a 2019 que mostra a queda de prevalência de tabagismo em adultos de 15,7% em 2006 para 9,8% em 2019. “Mas em números isso ainda equivale a 20 milhões de pessoas. Vale lembrar que em 1989, a prevalência de tabagistas no Brasil era de assustadores 34% da população”, destaca.

Na última pesquisa, em comparação com a penúltima, notou-se um aumento de 0,5% que se deveu em grande parte às mulheres jovens de 18 a 24 anos.


MORTALIDADE

No Brasil, 428 pessoas morrem diariamente de doenças causadas pelo tabagismo. A OMS aponta que o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano. Mais de 7 milhões dessas mortes resultam do uso direto desse produto, enquanto cerca de 1,2 milhão é o resultado de não-fumantes expostos ao fumo passivo.

No Tabaco há mais de 9.600 substâncias. A fumaça do cigarro possui uma fase gasosa e uma particulada. A fase gasosa é composta por monóxido de carbono, nicotina, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído e acroleína, entre outras substâncias. A fase particulada contém nicotina e alcatrão que é um composto de mais de 40 substâncias comprovadamente cancerígenas, formado a partir da combustão dos derivados do tabaco. Entre elas, o arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, resíduos de agrotóxicos, substâncias radioativas, como o Polônio 210, acetona, naftalina e até fósforo P4/P6, substâncias usadas em veneno para matar rato.


DEPENDÊNCIA

A nicotina é uma droga psicoativa que atinge o cérebro em oito segundos após a primeira tragada. Ela é a grande responsável pela dependência, pois age sobre o sistema nervoso central e produz prazer, o que induz ao consumo e à perpetuação do ato de fumar. A nicotina é absorvida por via oral ou pulmonar, chega ao cérebro em oito segundos e depois, dissolvida no sangue, vai sendo excretada rapidamente. Quando os neurônios percebem que ela está escapando dos seus receptores, provocam um grau de ansiedade que só quem foi fumante sabe o que representa. É a crise de abstinência.


FUMANTE PASSIVO

Considera-se fumante passivo o indivíduo que convive com fumantes e inala a fumaça de derivados do tabaco em ambientes fechados. A fumaça que sai da ponta do cigarro e se difunde no ambiente contém em média três vezes mais nicotina, três vezes mais monóxido de carbono e até cinquenta vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que o fumante inala, entre elas naftalina, acetona, formaldeído, ácido cianídrico, arsênico, chumbo e amônia.


A exposição involuntária à fumaça do cigarro pode acarretar desde reações alérgicas - rinite, tosse, conjuntivite, exacerbação de asma - em curto período, até infarto agudo do miocárdio, câncer de pulmão, enfisema pulmonar e bronquite crônica em adultos expostos por longos períodos.


LEI ANTIFUMO

Em 1989, quando a prevalência de tabagismo no Brasil era de 43% em homens e 26% nas mulheres, foi criado o primeiro imposto específico sobre o cigarro. As imagens de advertência nos maços começaram em 1996, mesmo ano da restrição de publicidade e das primeiras leis sobre ambiente livre de tabaco. Progressivamente houve aumento de impostos de cigarros e em 2000 começou a ser oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde) o tratamento para o tabagismo.


Em dezembro de 2011, foi sancionada a lei 12.546/2011 que garante ambientes livres de fumo para todo o País e proíbe a propaganda de cigarros, inclusive, nos pontos de venda. Porém, a lei não entrou em vigor porque não foi regulamentada, apesar de intensa mobilização da população por mais de dois anos. Em maio de 2014, a lei foi finalmente regulamentada e entrou em vigor no dia 3 de dezembro do mesmo ano. A partir dessa data, ficou proibido fumar em ambientes fechados, públicos ou privados, de todo o País. Os principais benefícios da lei são a proteção da saúde da população, tanto de fumantes e não fumantes, o incentivo a fumantes a parar de fumar e a prevenção da iniciação de jovens, uma vez que diminui a aceitação social do cigarro.


TRATAMENTO NO SUS

O Inca (Instituto Nacional de Câncer) José Alencar Gomes da Silva é o órgão do Ministério da Saúde) responsável pelo PNCT (Programa Nacional de Controle do Tabagismo) e pela articulação da rede de tratamento do tabagismo no SUS, em parceria com estados e municípios e Distrito Federal. A rede foi organizada, seguindo a lógica de descentralização do SUS para que houvesse o gerenciamento regional do Programa tendo como premissa a intersetorialidade e a integralidade das ações. Desde 1989, o Inca desenvolve ações voltadas para o tratamento do tabagismo.


Atualmente, nos 26 estados da Federação e no Distrito Federal, as secretarias estaduais de saúde possuem coordenações do PNCT (Programa de Controle do Tabagismo) que, por sua vez, descentralizam as ações para seus respectivos municípios atuando de forma integrada.


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