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Crise: Unimep cogita venda de patrimônio para pagar débitos trabalhistas


Reunião pública do Fórum em Defesa da Unimep aconteceu nessa quarta-feira (3) - Imagem: Guilherme Leite

Em nova fase de uma crise financeira que se arrasta por, pelo menos, uma década e meia, a Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) cogita a venda de patrimônio da instituição para pagar débitos trabalhistas. A informação foi divulgada pelo reitor Ismael Forte Valentim durante reunião pública, nessa quarta-feira (3), na Câmara de Vereadores, e repete uma estratégia já adotada em outros momentos.


O evento marcou a retomada do Fórum em Defesa da Unimep na Câmara, solicitada no requerimento 246/2021, aprovado no último dia 25, e apresentado pela Comissão de Educação, Esportes, Cultura, Ciência e Tecnologia, formado pela presidente, vereadora Rai de Almeida (PT); relator, Thiago Ribeiro (PSC); e membro, Zezinho Pereira (DEM). “A associação da igreja está convencida de que vai disponibilizar patrimônio”, disse Valentim, ao apresentar as perspectivas de atuação da nova gestão da universidade, que assumiu no final de novembro do ano passado e, desde então, enfrenta greve de professores e já anunciou a suspensão de alguns cursos com o objetivo de buscar equilíbrio financeiro. “É isso o que precisamos neste momento”, completou.


Valentin reconheceu o grave momento por qual passa a instituição e justificou a suspensão de 20 cursos, os quais somam cerca de 300 alunos, dentro de um plano de busca da solvência financeira da Unimep. “Estamos trabalhando para encontrar soluções, no sentido de termos alternativas acadêmicas para todos os alunos que precisam terminar os seus cursos”, destacou.


A suspensão dos cursos impactou na inativação acadêmica do campus de Santa Bárbara d’Oeste, onde hoje, conforme o reitor, funciona um hospital de campanha para atender pacientes com Covid-19 na cidade vizinha. Também foram interrompidos cronogramas oferecidos nos campis Centro e Taquaral, em Piracicaba.


Foram mantidos 12 cursos que demonstraram ser superavitários e que, ainda segundo o reitor, já hoje conseguem dar uma sustentação financeira para a instituição. “Precisamos disto para que possamos planejar os próximos passos”, definiu.


Também foi apontado durante a reunião pública que os problemas financeiros afetam outras unidades da Rede Metodista e que demandam um esforço da instituição para também reposicionar a prestação de serviços educacionais na atual conjuntura do País. “Tivemos que tomar uma medida deste porte (de suspender os cursos) ou não conseguiríamos chegar ao final do ano”, disse, ao lembrar que foram enecerradas três unidades de Educação Básica da Rede Metodista. “Acabamos tendo que ceder diante de números gravíssimos e de uma imensa insolvência da instituição”, ressaltou.


A reunião pública também reuniu representantes sindicais dos professores. A presidente do Sinpro Campinas, Conceição Fornasiari, criticou o que chamou de “fechamento dos cursos” e disse que é impossível um retorno da Unimep dentro do projeto educacional para o qual ela foi pensada. “Nós estávamos esperançosos quando os senhores assumiram, mas tudo o que foi prometido não foi atendido”, disse.


O professor Donato Ribeiro reclamou da precarização por qual a universidade tem passado nos últimos anos. “A Igreja Metodista de agora é muito diferente daquela que pertencia ao Elias Boaventura, ao professor Almir (Maia), hoje está vindo uma nova gestão que não nos traz nem um pouco de alento”, disse, ao classificar as atitudes de suspensão dos cursos de “violentas”, “desrespeitosas” e “sem gratidão”.


Docente na universidade há 31 anos, Paulo Roberto Botão lamentou a descontinuidade do curso de Jornalismo, um dos mais tradicionais da instituição. “Existe o direito de abrir e fechar curso, mas é preciso garantir a oportunidade de conclusão, porque os alunos que lá estão escolheram pela qualidade e projeto pedagógico”, disse.


Representante da Igreja Metodista, entidade mantenedora da Unimep, o pastor Antonio Souza salientou que a universidade “é um orgulho” e “que todos estão desempenhando esforço grande para essa reestruturação”. No entanto, ele defende que as mudanças devem pensar no longo prazo para manter o projeto pedagógico.


A vereadora Rai de Almeida colocou o Fórum em Defesa da Unimep à disposição para ser o articulador das demandas tanto da universidade quanto da classe docente e dos alunos da instituição. No entanto, pediu o compromisso público da reitoria para recuperação de autonomia, o fortalecimento das instituições representativas dos trabalhadores, com a reconstituição da Adunimep, e a apresentação de um plano de pagamento dos débitos trabalhistas com os funcionários.


“Isso nos preocupa bastante, porque estes trabalhadores estão à míngua e precisam ter seus débitos trabalhistas pagos”, enfatizou a vereadora, que, ainda, destacou que irá visitar o campus Taquaral com objetivo de observar as condições atuais da estrutura de ensino e de trabalho oferecido pela universidade.


A reunião pública foi realizada de forma remota, tendo apenas a vereadora Rai de Almeida no plenário, e os outros participantes pela plataforma Zoom, entre eles o membro do mandato coletivo A Cidade É Sua (PV), Jhoão Scarpa.



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