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Coral Canto Alegre encerra experiência virtual com produção audiovisual


O grupo concluiu as atividades com uma produção audiovisual emocionante - Imagem: Divulgação

Foram quase cinco meses de encontros virtuais, adaptações e uma troca enriquecedora de conhecimento. Uma prova de resistência e poder de ressignificação em meio à pandemia. Um porto seguro e feliz em um período tão difícil e sombrio. Todas essas, palavras usadas para definir os sentimentos dos participantes do Coral Canto Alegre, projeto coordenado pela regente Tania Pacca Perticarrari, de Piracicaba, que reuniu 50 vozes de diferentes idades, numa ação virtual inédita nesses tempos de isolamento. O grupo concluiu as atividades com uma produção audiovisual emocionante, divulgada pelas redes sociais.


Na apresentação do vídeo, editado por Lucas Galli, durante o último encontro no final de fevereiro, os coralistas não contiveram as lágrimas. Muito emocionada, a pedagoga Márcia Simonetti Clemente, 57, de Ribeirão Preto-SP, declarou que a experiência resultou num importante processo individual, mas também coletivo, onde cada um tem seu valor e todos encontram a arte dentro de si. "Devemos nos permitir".


A produção musical intercala belas paisagens naturais com os rostos dos coralistas emoldurados pelas telas de computador, cantando Semente do Amanhã (Gonzaguinha), acompanhados pela pianista Francine Rigitano. Em uma sequência, embalados pelo piano ritmado em som semelhante ao do movimento de um trem maria-fumaça, eles entoam o clássico Trenzinho Caipira (Villa-Lobos/ Ferreira Gullar), enquanto as imagens levam o expectador a uma viagem por frases de motivação.


Todo o processo foi de grande acolhida a todos para minimizar as dificuldades do isolamento, na avaliação da neuropsicóloga Valéria Zucco Strini Matrangolo, 51, coralista de Sertãozinho-SP. "O coral virtual foi uma proposta desafiadora, mas resultou em uma libertação a todos os participantes." Já para o analista de sistemas Júlio César Franco, 50, de Piracicaba, cantar é "um bálsamo" e a participação no coral serviu como porto seguro nesses meses. "Foi a representação do quanto somos fortes juntos, uma atitude de resistência em meio à pandemia", afirma.


Na dinâmica do processo, as aulas eram realizadas semanalmente, em uma sala virtual onde todos se encontravam online com a pianista e a regente, que é educadora musical especializada em regência coral há mais de 30 anos em Piracicaba e coordena a Teia Vocal, programa que proporciona a música como ferramenta de desenvolvimento humano. Apesar da carreira, essa foi sua primeira experiência com coral virtual. "Estou feliz porque deu muito certo. Diferente do coral presencial, em que todos se ouvem, virtualmente as aulas privilegiavam a percepção da própria voz, do ouvir-se sozinho e tomar consciência individual”, destaca Tânia.


Foi justamente essa dúvida que despertou a curiosidade do projetista Salvador Blat Anton, 74, de Piracicaba. Ele não acreditava que pudesse ser possível o canto coral virtual, pois já participava presencialmente e confiava que, uma característica dessa atividade, era a soma das vozes em uníssono. "On-line, todos cantariam separados, mas essa experiência somou pelo desejo de fazermos juntos", enfatiza.


DURANTE A PANDEMIA

O projeto de canto coral começou a ser desenvolvido presencialmente pela regente Tânia em agosto de 2017, com patrocínio da Oji Papéis Especiais, envolvendo funcionários e moradores do bairro Monte Alegre, onde a empresa está instalada. Em 2018, ganhou apoio da Lei de Incentivo à Cultura, com realização da Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo. Com a pandemia, tudo precisou de adaptação e, para dar continuidade ao objetivo de proporcionar às pessoas o contato com a linguagem musical e com o desenvolvimento pessoal por meio de exercícios ritmicos, corporais, de respiração, técnica vocal e experiências que vão além do cantar, Tânia decidiu encarar o desafio de formar um coral virtual.


Encantada pela nova proposta virtual, a Oji Papéis Especiais patrocinou novamente o desafio por intermédio da Lei de Incentivo à Cultura, com realização da Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo. Para Mônica Salles, do departamento de Comunicação e Sustentabilidade da Oji, "o Coral Canto Alegre atua com competências humanas que extraem o melhor dos participantes". A atividade, segundo Mônica, envolve autoestima, disciplina, concentração, trabalho em equipe e sentimento de pertencimento a um propósito coletivo e de bem. "Por isso, a Oji Papéis entende o valor desse projeto, que cuida das pessoas de uma forma muito especial”, destaca.


Um dos desejos de Tânia, da pianista Francine e de todos os coralistas, é que o projeto possa ter continuidade e se expandir futuramente. "O Coral Canto Alegre é outra forma de se autoconhecer, por outro ângulo, trabalhar com vivências musicais como um caminho além do desenvolvimento musical, mas de reflexão sobre a vida e as relações humanas”, ressalta a regente.


FICHA TÉCNICA

A produção audiovisual do Coral Canto Alegre tem regência e coordenação de Tânia Pacca Perticarrari, piano de Francine Rigitano, assistência de produção de Maria Angela Perecin Foltram, organização de mensagens Sandra Regina de Oliveira e edição de Lucas Galli. Músicas: "Semente do Amanhã" (Gonzaguinha/ arranjo Tânia Pacca/ arranjo instrumental Francine Rigitano) e "Trenzinho Caipira" (Villa-Lobos/ letra de Ferreira Gullar/ arranjo Tânia Pacca/ arranjo instrumental Rubens Ricciardi adaptado por Francine Rigitano).


Para conferir a produção musical, acesse Vídeo Coral Canto Alegre no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=1OhnUIcw4pc&feature=youtu.be. Confira também o vídeo institucional do Coral Canto Alegre no YouTube, com interpretação de libras por Shalimar Laureano: https://www.youtube.com/watch?v=nrMjYLG0FEs. Também estão disponíveis duas aulas-palestras sobre canto coral: https://www.youtube.com/watch?v=c3TpAtV8WQI ; https://www.youtube.com/watch?v=lLdc9f-FD1I .

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