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Barriga solidária: à espera de um milagre chamado Manuela


Vilsilene é a barriga solidária da irmã Ivaneide (à esquerda) - Imagem: Arquivo da família

*Texto: Eliana Teixeira

Aos 16 anos de idade, um diagnóstico declarado com falta de sensibilidade por um ginecologista sobre a ausência de útero poderia ter sido o início de uma vida amargurada. Mas apesar disso, a analista fiscal Ivaneide de Paula Canale, atualmente com 38 anos, manteve a fé de que um dia seria mãe. O sonho da maternidade de Ivaneide, casada há oito anos com Thiago Canale, começou se tornar realidade quando a irmã dela, a cabeleireira Vilsilene de Paula, se ofereceu para ser a barriga solidária que trará ao mundo Manuela, em março de 2023.


As irmãs são, segundo a analista fiscal, o primeiro caso de barriga solidária – o material genético, ou seja, óvulo e espermatozoide, é de Ivaneide e do marido dela, mas quem está gestando o bebê é Vilsilene – da cidade de Piracicaba (SP). A reprodução assistida foi realizada em Sorocaba (SP), porém Manuela irá nascer em Piracicaba, município onde a família reside. “Foi na segunda tentativa que nosso milagre veio. Não foi fácil a primeira tentativa, mas tivemos muito amor, fé e perseverança”, relembra Ivaneide.



No Brasil, a barriga solidária é uma alternativa legítima para quem tem impossibilidade de gestar um bebê no próprio ventre, sendo uma alternativa da medicina reprodutiva para realizar o sonho de muitas famílias que desejam ter filhos. Segundo a legislação brasileira, não é permitido qualquer tipo de compensação financeira para que aconteça o empréstimo temporário do útero. A barriga solidária deve ser cedida por um parente de até quarto grau - mãe, irmã, prima, tia - ou em sua ausência, o Conselho Regional de Medicina pode autorizar a participação de uma pessoa sem parentesco nesse processo.


Síndrome de Rokintanski

Ivaneide tem a Síndrome de Rokintanski, doença rara que afeta o sistema feminino reprodutivo, e nasceu sem útero, mas tem os ovários e faltava o útero para a gestação de Manuela, bebezinha que está sendo aguardada pelos familiares, amigos e conhecidos de Ivaneide com muita alegria. “Eu sempre soube que seria mãe e que Deus estava no controle de tudo. Sempre tive apoio e muito amor da minha família, que sabia do meu sonho de ser mãe e que eu precisava de um milagre”, emociona-se Ivaneide.


Embora as irmãs de Ivaneide já tivessem se oferecido para a ser barriga solidária, a analista fiscal diz que estava “aguardando” a resposta de Deus. “E o querer de Deus nem sempre é como planejamos. Foram anos, meses, dias de espera, quando em um domingo eu tive uma conversa de filha para pai com Deus. Depois dessa conversa, minha irmã mais velha me perguntou quando eu iria colocar um bebê na barriga dela”, conta Ivaneide. “Dentro do meu coração, algo me disse que era a resposta da minha conversa com Deus, minha irmã Vilsilene com o coração todo disposto, cheio de amor, oferendo o que eu não tenho: uma casinha, útero, para abrigar meu bebê por nove meses”, completa.


Tratamento de fertilização

De acordo com Ivaneide, o tratamento de fertilização começou em 29 novembro de 2021, em uma clínica localizada na cidade de Sorocaba (SP), com a primeira transferência dos embriões em fevereiro 2022. “Mas não obtemos o positivo e foi uma dor sobrenatural que tirava o fôlego. Não sabíamos o porquê, pois todo o tratamento havia ocorrido bem. Foi uma dor que me paralisou por um instante, mais com apoio da minha irmã, do meu esposo, apesar de ele estar com medo de tentar novamente, mais o apoio de nossos pais, fomos para a segunda tentativa, em maio deste ano, e fizemos a transferência dos embriões em junho”, recorda-se.


Após a transferência dos embriões, a família esperou 12 dias para sair o resultado. “Era uma esperar que não acabava. O resultado saiu em um sábado, e minha irmã me ligou perguntando se já tinha visto o resultado. Eu estava calma, quando ela me mostrou a foto do resultado com o tão esperado positivo”, detalha Ivaneide. “Foi uma mistura de festa, vitória, alegria, choro e muita gratidão a Deus por nos abençoar com este milagre. Fizemos chá revelação para anunciar o sexo do bebê”, completa.


O sexo do bêbe foi divulgado em um chá revelação - Imagem: Arquivo da família

Maior presente

Divorciada, Vilsilene tem 43 anos, namora e diz que gestar a sobrinha em seu útero é o maior presente que poderia dar à irmã e ao cunhado. “Eu não quis ter filho, embora goste muito de criança. Aceitei ser barriga solidária por muito amor a minha irmã, quando soube do resultado positivo, foi muita felicidade. É uma emoção muito gratificante e estou muito feliz em ser a titia que trouxe o maior tesouro para minha irmã e meu cunhado”, alegra-se a cabeleireira.


2023: o ano do milagre

Enquanto Manuela, cujo significado do nome Ivaneide ressalta ser “Deus conosco”, sentimentos de ansiedade, amor, alegria, gratidão, fazem parte da vida da futura mamãe. “Este é o meu maior milagre, após anos de espera e fé, com a certeza que Deus faria, mas sem não sabia como ou quando. Agora, 2023 será o ano de cumprimento da nossa promessa, o ano de ver o rostinho, sentir o cheiro da nossa bebezinha. Nosso coração está em festa, pois tem muita gente que esperou este milagre conosco”, relata Ivaneide.


A cada mês que se passa, afirma a analista fiscal, o sentimento de agradecimento a Deus pela vinda de Manuela somente aumenta. “É uma gratidão eterna e a Vilsilene, minha irmã, é o nosso anjo. Nossa bebezinha está crescendo com saúde e perfeição, enquanto minha casa está se preparando para sua chegada”, declara Ivaneide.




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