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Afrofuturismo: projeto promove encontros com estudantes e profissionais africanos em Piracicaba


Oficina de estamparia - Imagem: Alexandre Almeida Fogaça

A construção da identidade da cidade de Piracicaba (SP) tem grande influência da cultura africana desde a época dos escravizados no século XIX. Com o objetivo de informar e empoderar a população preta da cidade e região, por meio do conhecimento da sua ancestralidade, o projeto Afro Black promove o encontro “Afro Black Afrofuturista”, que acontece entre os dias 4 e 26 de junho. A ação tem o apoio do Governo do Estado de São Paulo, do ProAC e da Casa do Hip Hop de Piracicaba.


O evento será uma produção de apresentação e debate sobre o continente africano para além da musicalidade, culinária e dança, pois abordará, também o empreendedorismo, a moda, a linguagem e a tecnologia, a partir de narrativas de estudantes e profissionais africanos provenientes de países como Angola, Benin, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e Moçambique, mas que hoje vivem no Estado de São Paulo.



Programação

Será um encontro com duração de quatro dias no formato online, por meio de lives, e presencial. Todas as atividades são gratuitas e as transmissões ocorrerão nas redes sociais do projeto (Instagram: https://instagram.com/afroblackpira?igshid=NDA1YzNhOGU=; Facebook: https://www.facebook.com/afroblackpiracicaba/) e da Casa Hip Hop Piracicaba (Instagram: https://www.instagram.com/casahiphoppiracicaba/; Facebook: https://www.facebook.com/casa.h.piracicaba). Confira a programação completa:


Dia 4 de junho, das 17h às 19h – online

Oficina de estamparia africana, com Japhette Ozias Ninninla Lantonkpode: com duração de 50 minutos, vai ser transmitida a oficina que aconteceu no dia 24 de abril na Casa do Hip Hop de Piracicaba, a qual desenvolveu estamparias africanas com influência afrofuturista; DJ Fábio Lima: Músicas africanas e danças; Palestra - Empreendedorismo na África, com Hiaosmim Vanderlei Tavares Costa, diretamente de Guiné Bissau: serão apresentadas oportunidades de negócios (abertura de empresas) e os desafios do empreendedorismo na África, especialmente na Guiné-Bissau, Cabo Verde, Benin, Moçambique e Angola.


Dia 5 de junho, das 17h às 19h – online

Palestra - Educação e Afrofuturismo, com Janice: será abordado o uso de conceitos do Afrofuturismo na educação de crianças, jovens e adolescentes; DJ Fábio Lima: Músicas africanas e danças; Roda de Conversa - Tecnologia e Afrofuturismo na África, com Marseu Sebastião de Carvalho: conversa sobre a produção de tecnologia de informação e outras contribuições tecnológicas e inovações advindas do continente africano.


Dia 11 de junho, das 17h às 19h – online

Roda de Conversa - Línguas faladas no continente africano, com Vensam IaLa: serão apresentadas algumas das diferentes línguas faladas no continene que influenciaram o português falado no Brasil, assim como algumas curiosidades sobre o crioulo de Guiné-Bissau e Cabo Verde; DJ Fábio Lima: Músicas africanas e danças; Roda de Conversa - Música e Afrofuturismo na África, com Otis Selimane: serão apresentados elementos da música africana e brasileira que mesclam visões futuristas, ficção histórica e científica, assim como a arte africana e da diáspora africana que trabalham com afrocentrismo e cosmovisão africana em geral; Desfile de moda: Com estampas Afrofuturistas.


Dia 26 de junho

Festival Afro Black Afrofuturismo, das 14h às 22h, presencial na Casa do Hip Hop de Piracicaba; Feira com afroempreendedores de Piracicaba e região: os interessados em expor os trabalhos devem fazer inscrição pelo e-mail afroblackpira@gmail.com; Oficina de dança afro: com Guilherme Pereira e Marcinha da Vila Africa; Apresentação de 2 DJs: Dj Emilio de Guiné Bissau e DJ Faul da rapper, cantora e compositora Drik Barbosa.


Afro Black

Em 2015, surgiu, por meio das irmãs Sabrina Alessandra Rodrigues Semedo e Camila Fernanda Rodrigues, o projeto chamado Afro Black. O foco é divulgar a cultura africana e a sua musicalidade no município de Piracicaba e região, por meio de apresentações de DJs africanos de diferentes nacionalidades, residentes no Brasil. Durante as edições realizadas, foram apresentados diferentes gêneros musicais (Afro House, Afro Beat, Kuduro, Zouk e Kizomba) e também aconteceram desfiles para divulgar as vestimentas e acessórios africanos.


O projeto foi inspirado na Semana da África e Festa Africana, eventos que acontecem na cidade de São Carlos desde 2006, para celebrar o dia 25 de Maio (Dia da África), que é uma data comemorada mundialmente. O Projeto Afro Black foi sucesso, em Piracicaba, e até o momento, 15 edições foram realizadas, sendo na maioria das vezes produzidas em colaboração com estudantes, empreendedores e profissionais africanos e afrodescendentes que vivem na cidade e no Estado de São Paulo.


Afrofuturismo

O Afrofuturismo é um termo criado pelo americano Mark Dery (autor do artigo "Black to the Future"), em 1993, nos Estados Unidos. Ele aborda temas da diáspora africana sobre o passado e futuro, por meio de sua ancestralidade e, também da perspectiva tecnocultural da África. No entanto, é importante mencionar que os aspectos afrofuturistas já existiam muito antes do termo ser criado, como em expressões artísticas nos anos 60. Kodwo Eshun, escritor e cineasta, é outra voz importante nas contribuições iniciais sobre o tema, sendo o autor da primeira obra teórica inteiramente dedicada ao afrofuturismo (livro More brilliant than the sun). Para o autor, o afrofuturismo é uma forma de recuperar as histórias de contra-futuros criadas num século hostil à projeção afrodiaspórica.


No Brasil, o escritor Fábio Kabral, autor de “O Caçador Cibernético da Rua 13” (Malê, 2017), define o Afrofuturismo como o movimento que recria o passado, transforma o presente e projeta o futuro. Luciene (Lu Ain-Zaila), escritora afrofuturista/sankofista, no livro Sankofia (2018), coloca o encontro com a ancestralidade como chave para viver o presente e o futuro, como um dos fundamentos do Afrofuturismo.


O afrofuturismo é considerado arte, prática e metodologia que prega que pretos e pretas podem se ver no futuro, construir coisas sofisticadas e serem capazes de salvar e mudar o mundo.


Oficina de estamparia - Imagem: Alexandre Almeida Fogaça

Integrantes do projeto

Sabrina Alessandra Rodrigues Semedo: tem 36 anos de idade, natural de Piracicaba (SP). É doutora em Clínica Odontológica, atua na área de Prótese Dental, como também é produtora cultural desde 2015, por meio da empresa "S&C Gêmeas Produções”, que foi criada em parceria com sua irmã gêmea, Camila Fernanda Rodrigues. Em maio de 2018, tornou-se também co-fundadora e produtora do “Coletivo Beleza Preta” que atualmente tem como sede a Casa do Hip Hop de Piracicaba-SP, no qual atua com várias mulheres pretas moradoras de Piracicaba e região. Todos os projetos citados têm como público-alvo adultos, adolescentes, jovens e crianças, tendo como foco principal trabalhar com a cultura Hip-Hop, Negra e Africana, planejando e executando projetos voltados ao desenvolvimento social, político, econômico, cultural e educacional da população preta de Piracicaba e região.


Camila Fernanda Rodrigues: é mestre em Engenharia de Materiais pela UFSCar de São Carlos, produtora cultural e co-fundadora do Coletivo Beleza Preta. Atuou de 2013 a 2015 na organização da Semana Acadêmica Africana e da Festa D’África de São Carlos (SP), eventos que tem como objetivo difundir a cultura africana sob a perspectiva dos estudantes universitários africanos e brasileiros. Em 2014, também na cidade de São Carlos, organizou o Mês da Consciência Negra junto aos estudantes da UFSCar, evento em que teve atividades no Sesc São Carlos e na UFSCar. Em 2015 começou a produzir evento com a marca "S & C Gêmeas Produções,” e iniciou o projeto "Afro Black" na cidade de Piracicaba, que tem como foco a divulgação das melhores músicas africanas em Piracicaba. Em maio de 2018 se tornou co-fundadora e produtora do Coletivo Beleza Preta, cujo objetivo é desenvolver atividades educacionais relacionadas à moda, cabelo e maquiagem, com objetivo de despertar a autopercepção e auto aceitação das mulheres jovens, adolescentes e adultas pretas de Piracicaba e Região.


Hiaosmim Vanderlei Tavares Costa: guineense, natural da República da Guiné-Bissau, de 35 anos. Bibliotecário – Documentalista e Pós-graduado em Gestão de Conteúdos e da Informação Digital. Foi presidente da Associação dos Estudantes da Guiné-Bissau em Brasília, Distrito Federal (AEGB/DF) e membro fundador da União dos Estudantes Africanos de Brasília (UEAB). Participou de vários eventos entre as quais (conferências, seminários, palestras, rodas de conversas, aulas magnas) sobre a Guiné-Bissau e África, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e Comunidades dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP/CPLP) como realizador, moderador, ouvinte ou palestrante. Residente em São Paulo desde dezembro de 2014. Atualmente é CEO & Fundador da Empresa Guiné Work World Wide Web (GW4) - Business and Solutions SARL.


Japhette Ozias Ninninla Lantonkpode: é uma beninense que imigrou para o Brasil, em 2012. Ela se formou em Design pela Unesp, em 2017. Em 2013 realizou um desfile na abertura da Semana Africana de São Carlos e em 2015 na segunda edição do projeto Afro Black em Piracicaba. Durante a sua trajetória, ela focou em estudar o design e a moda com um novo olhar, um olhar afrocêntrico, que traz suas referências e vivências do continente africano e do Brasil, como uma africana da diáspora contemporânea. Isso a levou a ter uma marca de moda alternativa onde empenha e aplica toda a inspiração da cultura africana. Também leciona em cursos on-line sobre estamparias africanas.


Vensam IaLa: é natural da Guiné-Bissau, professor licenciado em Letras pela Unesp, com especialização em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa. É também ator, modelo e foi eleito o primeiro mister África Brasil em 2018. Escolhido entre 10 finalistas do Man Of The World 2019 nas Filipinas, representando a Guiné-Bissau. É ativista social e dedica o seu trabalho às línguas, literaturas e causas que debatam sobre a migração, refúgio, buscando ampliar a escuta de pessoas invisibilizadas em situação de vulnerabilidade social. É Idealizador do Projeto @vistoafrica, Co-Produtor do Projeto @ujamaa_ e representante do Projeto Semear Sonhos (Guiné-Bissau) no Brasil.


Otis Selimane Remane: percussionista, baterista, cantor, compositor e educador moçambicano. No Brasil desenvolve projetos como o Mbirofonia Duo (grupo de pesquisa e faz releitura de música tradicional do sul de África e mescla com música Afro Brasileira), seu projeto de Música autoral The Otis Project, Coletivo de Percussão Moçambicana e Afro-Brasileira e trabalhando como side musician nas noites de São Paulo. Trabalhou com renomados músicos de Moçambique, Jimmy Dludlu, Moreira Chonguiça, Isabel Novella, Cheny Wa Gune, Lenna Bahule, Tanselle, Xixel Langa e outros mais artistas da nova geração.


Marseu Sebastião de Carvalho: bailarino angolano com mais de 14 anos de experiência. Mudou-se para o Brasil, em 2010 onde continuou sua vida artística com trabalhos nos Sescs e organizando eventos para a comunidade africana. Em 2017 após muitos anos de estudos foi batizado por mestre Petchu e Vanessa Ginga pura, como um dos professores difusores da kizomba no mundo. Atualmente trabalha em uma empresa de tecnologia e atua como vendedor e consultor na área de tecnologia de informação.


Janice Raquel Sança Gomes: natural de Cabo Verde, possui Graduação em Pedagogia e Mestrado na área de Educação. Em 2014 participou da organização da X Semana Acadêmica e Cultural Africana de São Carlos, apresentando o trabalho Noções sobre a Lei 10.639 (História e Cultura Afro-Brasileira) e curiosidades sobre alguns países da África (Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau). Em 2015 participou do evento Mulheres Negras: perspectivas e desafios. Atualmente é doutoranda na Universidade Estadual de Campinas na área de Educação.


Emílio Vaz Rodrigues: guineense, apaixonado pela música desde criança, a qual teria seguido através de Playback nas discotecas. Apesar de receber pouco incentivo da família, sempre insistiu nos seus sonhos. Em 2010, no Brasil decidiu se profissionalizar como DJ. Participou de vários concursos no Rio de Janeiro e foi convidado para tocar em várias festas africanas, em diversos Estados como São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Rio de Janeiro. Apresentou-se na segunda edição do Afro Black no ano de 2015. Em 2019 foi convidado para tocar na abertura do show do artista Guineense Américo Gomes em um estádio na Guiné-Bissau, com público de aproximadamente 25 mil pessoas. Trabalhou como DJ do PUB Club na cidade de São José dos Campos (SP). Atualmente trabalha como bibliotecário.


Adande Romaric Pancrace Videgla: conhecido como Mister Prav (nome artístico), é beninense, tem 30 anos de idade e reside em São Paulo capital. Formado em marketing pelo Eneam no Benin, e Design no Brasil pela faculdade Belas Artes. É ator e modelo com 5 anos de experiência. Nas horas vagas, é artista independente, atua como dançarino, professor de francês, palestrante e faz pinturas e artesanato.


Danielle Nicolau Galdino: mulher preta, 34 anos, com experiência de 10 anos no mercado de trabalho na área financeira. Formada em Administração de Empresas, concluído em 2009, pela Faculdade Ibrafem, com MBA em Finanças e Controladoria, concluído em 2012, pela Universidade Unimep. Mãe solo desde de 2016. Em Piracicaba faz parte da equipe Afro Black desde a sua formação, em 2015 e do Coletivo Beleza Preta desde 2018.


Gustavo Paulo da Silva: estudante de Design Gráfico na Unesp. Experiência como assistente de produção e atualmente trabalha como supervisor de produção em uma agência de marketing digital.


Júlia Heloisa Silva: jornalista, formada pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Em 2018 e 2019 atuou como estagiária na divisão de Comunicação da Esalq/USP e TV USP Piracicaba. Entre os anos de 2020 e 2021 foi estagiária na área de jornalismo de web pela Emissoras Pioneiras de Televisão (EPTV), no G1 Piracicaba e Região. Também podcaster, atualmente presta serviços de assessoria de imprensa.


Douglas dos Reis de Moura: relações públicas, formado pela Faculdade Paulus de Comunicação e Tecnologia. Fundador e CEO da Elo Negro, agência de afrocomunicação, com foco em afroempreendedores. A agência pressupõe a construção de um pensamento que leve em consideração estratégias de comunicação que sejam afrocentrada e antirracista, ou seja, valorize a cultura, a história antes da diáspora forçada, a subjetividade, a ancestralidade e a diversidade do povo negro, afrodiaspórico e indígena.


Katiuscia Pinheiro Gonzalez: profissional com mais de 20 anos de experiência na área administrativa e vendas, empreendedora, casada e mãe. Atua como cabeleireira especialista em cachos, crespos e ondas, e também trabalha como maquiadora no Salão Krespas, localizado em Piracicaba.


Fábio Vanderlei André Lima: atuando na Bahia há mais de dez anos, o angolano se orgulha de disseminar a cultura africana através da música por todo o país. Kuduro, Afro House, Zouk, Kizomba, Semba, Tarraxinha, Coupé-décalé, Azonto, Kabetula são alguns dos ritmos trabalhados na sonoridade do DJ que mantém laços fortes com a musicalidade africana. O trabalho musical diferenciado vem proporcionando grandes parcerias com ícones da música baiana.


Vinícius Teodoro Faustino: DJ Faul é quem proporciona a conexão entre a pista e nossas tecnologias musicais ancestrais, representante dos toca-discos, Faul atua já como DJ há 9 anos, começou nas Batalhas de MC, é o DJ oficial da rapper e cantora Drik Barbosa (Laboratório Fantasma), e principalmente um dos maiores de sua geração quando o assunto é colocar geral para dançar! Sua pesquisa vai passa por vários estilos, principalmente Rap, Afrobeats e suas vertentes, carrega em sua bagagem discotecagem em casas de grande importância para a música do Brasil como Circo Voador (RJ), Ópera de Arame (CWB), Audio Club, Cine Jóia (SP), e Espaço das Américas (SP), já trabalhou em eventos com NBA Brasil e Nike, também já dividiu palco com diversos artistas, entre eles Emicida, DJ KL Jay e Rincón Sapiência.

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