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6º Festival Nacional de Capoeira de Piracicaba tem programação até dia 3 de agosto


Atividade realizada no Centro de Atendimento Sócio Educativo, em Piracicaba (SP) - Imagem: Divulgação

Entre o dia em que a capoeira se tornou Patrimônio Nacional, Cultural e Imaterial - celebrado em 15 de julho - até o Dia do Capoeirista - comemorado em 3 de agosto -, o Instituto Afropira promove o 6º Fenacap (Festival Nacional de Capoeira de Piracicaba). A abertura aconteceu nesta sexta-feira (15), em formato virtual no canal do Afropira no YouTube (https://www.youtube.com/c/AFROPIRA).


Com objetivo de celebrar e levar a capoeira a mais pessoas, o evento gratuito acontecerá em diversos locais de Piracicaba (SP) e em diferentes formatos ao longo de toda a programação. Confira:


Dia 15 de julho: Abertura Virtual - Canal Afropira, às 20h;


Dia 16 de julho: Tarde do Pastel (das 12h às 18h) no Varejão do Primeiro de Maio (Rua Leogildo Salvagni s/nº). Com apresentações dos alunos do Grupo Estilo Acrobático Capoeira (Geacap), Bloco Afropira e da cantora Elaine Teotonio;


Dia 17 de julho: Meu Brasil Brasileiro, no SESC Piracicaba. Apresentação de danças afros, capoeira e bloco afro;


Dia 19 de julho: Intercâmbio entre os grupos e escolas de capoeira do município, no espaço do Mestre Nambu da Associação Quilombo Corumbataí (Rua Benjamin Constant, 927, Centro);


Dia 20 de julho: Visita ao Case Jardim Oriente (Avenida Luiz Pereira Leite, s/n), às 15h;


Dia 20 de julho: Intercâmbio entre os grupos e escolas de capoeira do município, no espaço dos Instrutores Maisena e Mauy do Geacap - Jd. Oriente (Avenida Luiz Pereira Leite, s/n), às 19h30;



Dias 22, 23 e 24: Atividades na Chácara Bela Dias - rodas de conversas; aulas de capoeira angola, regional e contemporânea; aulas e apresentações culturais e rodas de Capoeira. Serão ofertadas duas turmas por aula, sendo uma para iniciantes e outra para intermediários e avançados. Preparado para receber toda faixa etária. Café da manhã, almoço e janta disponíveis para compra no local. 22 de julho – das 19h às 22h; 23 julho – das 8h às 22h; 24 de julho – das 8h às 18h;


Dia 25 de julho: Atividade virtual no canal do Afropira em alusão ao Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, e divulgação dos concorrentes do Prêmio da Música Capoeira;


Dia 26 de julho: visita à EE Prof. Eduir Benedicto Scarppari, (Sol Nascente) - das 7h às 8h. Apresentação de capoeira e bate papo sobre a capoeira em Piracicaba, convidando-os para as atividades que serão oferecidas pelo Fenacap;


Dia 27 julho: visita à EE Dr. Antonio Pinto de Almeida Ferraz (Caxambu) – das 7h30 às 9h. Apresentação de capoeira e bate papo sobre a capoeira em Piracicaba, convidando-os para as atividades que serão oferecidas pelo Fenacap;


Dia 27 julho: Intercâmbio entre os grupos e escolas de capoeira do Município no espaço do Mestre Adriano, do Grupo Ojú Obá Axará Capoeira, localizado no Centro Comunitário Jardim Esplanada (Rua Augusto Furlan, 39, Jardim Esplanada);


Dia 28 julho: Ação do Mestre Geninho da Associação Engenho Central e Mestre Marquinho do Geacap Em Homenagem ao Mestre Cosmo que faria aniversário no dia – na Praça que leva o nome do Mestre, localizada na (Rua Fernando Monteiro – Cecap);


Dia 29 julho: Visita à E.E. Pedro De Mello (Tupi) – Das 11h55 às 12h30. Apresentação de capoeira e bate papo sobre a capoeira em Piracicaba, convidando-os para as atividades que serão oferecidas pelo Fenacap;

Dia 29 julho: Divulgação do vídeo com Mestre Zequinha;


Dia 30 julho: Rota Afro (Julia Madeira) com Orquestra de Berimbaus (organizado pelos grupos e escolas de capoeira da cidade);


Dia 31 julho: Roda do Mestre Nelinho e Mestre Boca do Grupo Ìdílé Capoeira, que ocorre mensalmente na Rua do Porto em frente ao Casarão de Turismo;


Dia 2 de agosto: Atividade de celebração e de homenagem ao aniversário do Mestre Valter no Geacap, no Centro Comunitário Parque Primeiro de Maio (Rua Antônio Ferraz de Arruda, 405);


Dia 3 de agosto: Encerramento on-line com apresentação dos ganhadores do Prêmio da música, que já está com divulgação e inscrição na rua. O apoio é do Sesc Piracicaba e da Semac (Secretaria Municipal da Ação Cultural).


Fenacap

O Festival Nacional de Capoeira de Piracicaba é promovido pelo Instituto Afropira. Surgiu em 2017, sob a orientação de Mestre Marquinho, um dos diretores do Instituto. A primeira ação para criação do Fenacap foi fazer um mapeamento da capoeira dentro da cidade, em 2015. Em 2021, obteve o resultado de 17 grupos de capoeira cadastrados, com 28 representantes atuando em mais de 50 locais entre: varejões, centros comunitários, projetos sociais e escolas particulares.


Depois do levantamento, veio um processo de pouco mais de um ano, com rodas de conversas e escutas com todos os grupos, visto que a capoeira piracicabana tinha falta de contato entre seus representantes. A proposta de ações foi uma programação onde o foco era a promoção do intercambio e integração entre os grupos da cidade. Esta edição que foi o piloto do projeto, com rodas de conversas, debates sobre políticas públicas para capoeira, oficinas, festival de música e finalizando com apresentações de samba de roda. O Festival ocorreu nos anos seguintes, porém a 4ª e 5ª edição foram on-line devido ao período pandêmico.


Na 5ª edição, o Festival de Música de capoeira que já ocorria desde o início, recebeu o nome de “Prêmio – Música de Capoeira”, com inscrições de todo Brasil, impulsionando e divulgando ainda mais o projeto. Dos inscritos, 21 foram selecionados e buscaram o grande público para conquistarem votos, gerando assim uma playlist de músicas com letras e melodias riquíssimas e apresentação ao grande público de capoeiristas talentosos. Segue link da Playlist dos vídeos selecionados: https://youtube.com/playlist?list=PLJ2gxfnjJgrQTyoVFLZuwN7H1TwnIm3R0.


História da capoeira em Piracicaba

Segundo matéria do Miltinho Astronauta: “A Capoeira na cidade tem origem com dois professores (Gê e João) que tiveram um papel relevante. No entanto a Capoeira Piracicabana tem na marcante presença e forte atuação de Claudival da Costa – Saudoso Mestre Cosmo (28/07/1955 - 26/04/2004), a mais significativa contribuição. Mestre Cosmo que começou a treinar no final dos anos 60, se formou professor no Cativeiro, em 1978, na cidade de Ribeirão Preto. Se tornou o aluno mais antigo do grupo, seguido de Mestre Monteiro de Ribeirão, fundou uma filial do grupo em Piracicaba, em 1979, e deixou como discípulo a maior parte de mestres, contramestres e professores que atuam na cidade hoje.”


Piracicaba conta também com descendência de Mestre Gil, e teve nestes últimos 10 anos Mestres que migraram de outras cidades e estado e fortalecem este Patrimônio Cultural no município. Por ser um dos pioneiros e por sua trajetória e luta pela capoeira, todos os representantes dos grupos da cidade reconhecem a “Homenagem Mestre Cosmo” que ocorre deste a primeira edição do Fenacap, por meio da Câmara de Vereadores.


A capoeira está presente na região central, em bairros populares e na periferia piracicabana, trabalhando diretamente com cerca de 850 alunos assíduos e chegando a mais de 3.000 crianças e adolescentes através do trabalho desenvolvido pelo Case (Centro de Atendimento Sócio Educativo), presente em sete bairros, atendendo 1.100 crianças e adolescentes, pelo trabalho desenvolvido pela Secretaria de Esporte e Lazer que atua em varejões, além das escolas particulares.


Em 2013, surgiu o Festival Afropira, junto a um grupo de artistas e militantes da Cultura Negra em parceria com Secretaria Municipal de Cultura. Os realizadores do Festival se uniram pra mais ações como um coletivo e hoje atuam como um instituto que promove 10 Programas na cidade e região e criaram, em 2017, sobre a coordenação do Diretor Mestre Marquinho o Fenacap, que faz o levantamento e calculou 18 grupos na cidade.


Conquistas

A capoeira que já foi considerada criminosa e teve sua prática banida, foi reconhecida como esporte autenticamente nacional, porém com muito caminho a percorrer para tirar o olhar e o tratamento marginalizado, vem construindo uma história de conquistas e reconhecimento.


Tornou-se Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil - A Roda de Capoeira foi registrada como bem cultural pelo Iphan em 15 de julho de 2008, com base em inventário realizado nos estados da Bahia, de Pernambuco e do Rio de Janeiro, considerados berços desta expressão cultural.


Tornou-se Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade - Em 24 de novembro de 2014, durante a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda, que é realizada na sede da Unesco, em Paris, teve a inscrição para recebimento do título aprovada. Em 26 de novembro, a Unesco declara que a Roda de Capoeira é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.


Foi reconhecida como esporte - Através da Publicação da Resolução nº 44 de fevereiro de 2016, publicado em 05 de maio de 2016, reconhece as Artes Marciais e a Capoeira como esporte;


Teve reconhecimento do seu caráter educacional - Através da aprovação da PLS 17/2014, de autoria do ex-senador Gim Argelo, pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) no dia 19 de maio de 2015, reconhecendo o caráter educacional e formativo da capoeira e autorizando escolas públicas e privadas da educação básica a celebrarem parcerias com entidades que congreguem mestres e profissionais de capoeira para ensinar a seus alunos essa prática esportiva e cultural.


Conquistou dias para celebração de seus praticantes: Lei Federal Nº 7536/2010 - Instituiu o “Dia Nacional da Capoeira”; Lei Estadual Nº 4.649/1985 - Instituiu o “Dia da Capoeira” e Lei Municipal Nº 8.077/2014 – de autoria do Vereador Paulo Campos, fica instituído, no Calendário Oficial de Eventos do Município, o “Dia do Capoeirista”, a ser comemorado, anualmente, no dia 3 do mês de agosto.


Em Piracicaba, conquistou o Festival Nacional da Capoeira de Piracicaba, em 2017 e a Medalha Mestre Cosmo. Conquistou a lei nº 17.566, em 8 de junho de 2021, que institui o reconhecimento do caráter educacional e formativo da capoeira em suas manifestações culturais e esportivas e permite a celebração de parcerias para o seu ensino nos estabelecimentos de educação que especifica no município de São Paulo.


Instituto Afropira

O Afropira é um coletivo que tem como objetivo promover a cultura afro-brasileira na cidade de Piracicaba. Tudo começou em 2013, quando a cantora Elaine Teotonio e o Mestre de capoeira Marcos Farias, deram os primeiros passos para a realização do evento Afropira, junto a outros grupos e coletivos da cidade, levando à sete comunidades de Piracicaba o que mais tarde se tornou um festival no Parque do Engenho Central.


Hoje como Instituto, o Afropira é composto pela cantora e produtora Elaine Teotonio, o Mestre de Capoeira Marcos Farias, artesã Erica Lima, cabelereira Isabel Farias, o professor de samba rock Jean Bastos e o poeta Julio Rocha.

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