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15ª Bienal Naïfs do Brasil, em cartaz no Sesc Piracicaba, reúne produção de mais de 100 artistas


Alquimia do guardião 2, 2019, de Tito Lobo - Imagem: Isabella Matheus

Essas são as últimas semanas para que o público possa visitar a 15ª Bienal Naïfs do Brasil, em cartaz no Sesc Piracicaba até o dia 25 de julho. Com curadoria de Ana Avelar e Renata Felinto, a Bienal reúne 128 artistas de 21 estados do País, além do Distrito Federal. A partir do tema Ideias para adiar o fim da arte - uma referência direta ao pensamento do líder indígena, ambientalista e escritor brasileiro Ailton Krenak e ao filósofo e crítico de arte americano Arthur Danto -, a exposição traz 250 obras em suportes diversos. São instalações, pinturas, desenhos, colagens, gravuras, esculturas, bordados, marcheteria e entalhes. Em diálogo com o corpo expositivo, as artistas Carmela Pereira, Leda Catunda, Raquel Trindade e Sonia Gomes integram a mostra a convite das curadoras.


Ana Mae Barbosa e Lélia Coelho Frota, mulheres intelectuais brasileiras que demonstraram em suas pesquisas a preocupação e o cuidado com o entendimento da pessoa artista e de sua produção de forma mais humana e plural, também são reverenciadas no processo curatorial desta 15ª edição da Bienal.


O público pode visitar a exposição de forma gratuita e presencial, mediante agendamento prévio on-line através da página de cada unidade no Portal do Sesc São Paulo ou em sescsp.org.br/exposicoes . Para assegurar o distanciamento recomendado entre os visitantes, as vagas para as sessões são limitadas e variam conforme a unidade, sempre respeitando o limite de até cinco pessoas a cada 100 m2 (metros quadrados) e a ocupação limitada da capacidade total de cada local. O uso de máscara é obrigatório durante todo período de permanência na unidade.


Gorda, 2019, de Soupixo - Imagem: Isabella Matheus

VISITA DIGITAL

A 15ª Bienal Naïfs do Brasil oferece também um modelo de visitação digital em 360°. O tour virtual reúne 250 imagens das obras que compõem a exposição e traz uma experiência imersiva, que leva o público para perto das obras proporcionando ângulos e perspectivas distintas dos trabalhos, e também uma experiência expansiva, com dinâmica semelhante ao Google Street View, possibilitando uma visita que começa na fachada do Sesc Piracicaba e prossegue por seu espaço expositivo.


BIENAL

Realizada pelo Sesc São Paulo em Piracicaba desde o início da década de 1990, a Bienal Naïfs é um convite para o público refletir sobre os fazeres populares inventados por artistas. Nesta 15ª edição, a partir do título Ideias para adiar o fim da arte, a mostra traz discussões sobre temas como meio ambiente; o feminino como força social, como divindade e como figura do sagrado; as violências estruturais históricas; os espaços de coletividade e sociabilidade em ritos, festas e cerimônias; e o debate sobre objetualidade e utilidade.


Para Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo, a longeva relação do Sesc com esse universo, que antecede à realização das Bienais Naïfs do Brasil, está ligada ao reconhecimento de que a arte popular merece um espaço condizente com sua relevância. "Além disso, essa trajetória colaborou para que a própria instituição alargasse seus horizontes e sua compreensão sobre ação cultural, evidenciando as conexões entre cultura, democracia e cidadania. Cada nova edição impõe desafios sintonizados com contextos cambiantes e suas urgentes questões. Pois o presente é caleidoscópio de temporalidades, onde passados e futuros são disputados - e a arte é uma das principais expressões dessa tão humana condição", analisa.


CURADORIA

A partir da seleção feita pelas curadoras Ana Avelar e Renata Felinto - foram inscritas 980 obras, de 520 artistas com idades entre 19 e 87 anos - surgiram eixos temáticos, plurais e diversos, que compõem a mostra. O processo de seleção de trabalhos partiu do critério da representatividade e considerou as regiões de onde provêm e atuam esses artistas, suas declarações étnico-raciais, faixas etárias, os assuntos e as materialidades com as quais trabalham.


"Saltam aos olhos assuntos da maior relevância na imprensa hoje, como é o caso da questão premente da conservação ambiental, em particular no que diz respeito ao desmatamento na Amazônia, tema que há décadas ocupa o centro da política nacional, com negociações frequentes entre governos e órgãos internacionais, acionando avanços e retrocessos no debate ambiental. É também visível a associação da figura feminina à natureza, frequentemente como divindade. Nesse sentido, surgem imagens do sagrado e do fantástico, muitas vezes num amálgama sincrético de linguagens e religiões. As mulheres, aliás, são protagonistas de umas tantas cenas para além dessas fantásticas", explica Ana Avelar.


"Nosso desejo durante a seleção foi de contemplar várias humanidades, que é a multiplicidade de cores. Nós temos, por exemplo, um grande número de pessoas não brancas participando dessa exposição, e isso é necessário porque é preciso equilibrar dentro das exposições, o número de participantes, as origens, as complexidades das pessoas humanas participantes de acordo com a complexidade da população constitucional brasileira. Temos um grande número de pessoas de povos originários e de pessoas que são consideradas também pretas, ou negras e pardas, de acordo com as categorias oficiais. E isso é muito estimulante porque foi a nossa tentativa de apresentar, na Bienal Näifs do Brasil, uma pluralidade do povo brasileiro", ressalta Renata Felinto .


A ênfase desta 15ª edição da Bienal Naïfs numa crescente representatividade geográfica, étnico-racial, etária e de gênero, entre outros marcadores sociais, é, segundo a curadoria, uma maneira de estar à altura desse panorama. Os artistas naïfs constituem parte importante de tal questionamento, expandindo e relativizando os pontos de vista presentes na arte, campo tradicionalmente atrelado a distinções de classe. Maior diversidade de vozes e, portanto, de formas e cores, de assuntos e aproximações.


SOBRE NAÏFS

De origem francesa, o termo Naïf deriva do latim e sugere algo natural, ingênuo, espontâneo, foi utilizado originalmente no campo das artes para descrever a pintura e as propostas do artista modernista francês Henri Rousseau (1844-1910). A adoção do termo pela Bienal, no plural e desvinculado da palavra "arte", evidencia seu foco no artista e em suas manifestações diversas e múltiplas, deixando em aberto os possíveis significados e características do que é ser naïf.


"Vale notar ainda que o termo naïf, largamente utilizado para denominar essas várias artes e que, inclusive, nomeia esta Bienal, possuía no passado um sentido de arte ingênua relacionado a uma suposta falta de formalização dos estudos por parte desses/dessas artistas. Como podemos perceber, inclusive nesta mostra, tal leitura provou-se errônea e, a julgar por artistas que tradicionalmente participam desta exposição, hoje a palavra é reivindicada por eles/elas pelo fato de compor um sistema específico no qual os critérios daquilo que define um/uma artista naïf e os interesses que suscitam suas obras são absolutamente distintos daqueles que vigoram no sistema da arte contemporânea", afirma Ana Avelar.


SERVIÇO

15ª Bienal Naïfs do Brasil - Ideias para adiar o fim da arte: até 25 de julho de 2021. Local: Sesc Piracicaba, à rua Ipiranga, 155, no Centro. Curadoria: Ana Avelar e Renata Felinto. Visitação com agendamento: terça a sexta, 14h, 16h e 18h. Sábados e domingos, 10h e 12h. Tempo de visitação: 90 minutos. Agendamento de visitas: sescsp.org.br/exposicoes. Classificação indicativa: livre.



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